“EQUILIBRADO É QUEM APRENDE A DANÇAR COM OS PRÓPRIOS DESEQUILÍBRIOS"
EQUILÍBRIO
Equilíbrio é uma erva sagrada que lhe faz sentir centrado e, sobretudo, no seu eixo próprio.
CUSTO
Provando o equilíbrio você estará mantendo a paz e a serenidade de poder ser você.
TIRA GOSTO
SÃ LOUCURA
AQUELE LOUCO
QUE SE DIZ SÃO
É LOUCO DEMAIS
PARA PERCEBER
NA SUA LOUCURA
TRAJADA DE SANIDADE
O SEU DESEQUILÍBRIO
AQUELE SÃO
QUE SE DIZ LOUCO
É SÃO DEMAIS
PARA PERCEBER
NA SUA SANIDADE
ORA FANTASIADA DE LOUCA
O SEU EQUILÍBRIO
DE QUE VALE O EQUILÍBRIO
SE NÃO POSSO
PENDER
CAIR
LEVANTAR
QUERO VIVER A MINHA SÃ LOUCURA
CURAR A SANIDADE QUE ME ENLOUQUECE
EQUILIBRAR APENAS OS MEUS DESEQUILÍBRIOS
DESEQUILIBRANDO A FALSA NORMALIDADE
QUE ME IMPEDE SER EU MESMA
INGREDIENTES
Qualquer erva sagrada
PREPARO
Primeiramente, é necessário colher a erva sagrada desejada. Ela se desenvolve, apenas, em terrenos férteis capazes de promover o desenvolvimento de quem a degusta. São várias as ervas que possuem o valor terapêutico capaz de harmonizar o nosso ser. Sabendo utilizá-las, no momento propício, você estará despertando o equilíbrio desejado. Você poderá utilizar estas ervas em forma de chá ou em forma de tempero. Eu, por exemplo, ando utilizando a erva do amor como um tempero a mais nas minhas relações com o outro e comigo mesma. Tenho uma amiga, educadora, que adora utilizar as ervas da paciência e criatividade no chá de aprendizagem que oferece aos seus alunos. A decisão de como usar a sua erva sagrada deverá ser sempre sua.
SOBREMESA
CORDA BAMBA
Uma antiga lenda dizia que um valioso tesouro habitava uma caverna misteriosa. Nenhum ser humano, por mais afoito que fosse, jamais conseguiu chegar sequer na porta da mesma, pois para chegar até lá o aventureiro deveria atravessar um precipício equilibrando-se numa corda erguida, que servia de ligação entre um lado do abismo e o portal da caverna.
Muitas eram as especulações sobre o sonho de cada aventureiro que arriscava a própria vida para conquistar o misterioso tesouro.
— Eu acredito que deva ser um barril de pedras preciosas; fantasiavam alguns.
— Deve ser o mapa de uma inesgotável mina de ouro. Diziam outros.
A imaginação fluía livremente e os ambiciosos que ousavam atravessar aquela corda levavam sempre consigo a esperança de riqueza, mas jamais a traziam de volta. O despenhadeiro nunca contou a ninguém o trágico destino dos mesmos.
Certo dia, porém, um simples e humilde palhaço equilibrista resolveu aceitar o desafio daquela corda. Até então, o desafio sempre fora para ele a maior riqueza de sua vida. Viver num circo, desafiar o mau humor das pessoas, tentando trazer de volta a alegria adormecida, nunca fora uma tarefa fácil. Dramatizar o papel do palhaço que nunca conseguia se firmar na corda bamba era uma missão gratificante, pois trazia, simbolicamente, um alívio para todos aqueles que não conseguiam se firmar na vida. O palhaço ironizava o desequilíbrio do ser humano, substituindo o choro pelo riso. Sempre acostumados a rirem do palhaço, ninguém deu credibilidade ao seu desejo de ultrapassar aquela corda. Limitaram-se a dar boas risadas quando ele, finalmente, decidiu desafiar o despenhadeiro.
— Se os mais corajosos e ambiciosos homens jamais conseguiram vencer este desafio, o que um simples palhaço, carente de ambição, conseguirá fazer? Comentavam os incrédulos, os invejosos e os covardes.
— Que palhaçada! Como ele pode brincar, desta forma, com a própria vida? Censuravam outros.
Sem se importar com os comentários, arriscou-se. Lá foi o palhaço equilibrando naquela corda como jamais fizera no circo. As regras ali eram bem diferentes. No circo a regra era cair, ali, manter-se em equilíbrio. Não havia espaços para a risada, apenas para a concentração. Durante todo o percurso teve muito medo. Temeu perder o possuía de mais valioso — a própria vida. Para preservá-la não poderia perder o equilíbrio. Sabia que não poderia pender, radicalmente, para lado algum; precisava manter-se centrado no próprio eixo. Centrando em si mesmo e dominando, a cada passo, a técnica do equilíbrio, conseguiu, finalmente, chegar à porta da caverna. Antes de adentrar-se foi dominado pelo mais profundo sentimento de valorização da própria vida. Sentiu que nenhum tesouro que aquela caverna possuísse poderia ser maior e mais valioso do que o equilíbrio que garantiu a sua vida. Ficou um bom tempo pensativo, refletindo se teria o mesmo equilíbrio no seu trajeto de volta, chegando a esquecer-se do tão cobiçado tesouro da caverna, insignificante naquele momento de tamanha descoberta. Descobriu que o amor à própria vida era mais valioso do que qualquer tesouro. Depois de muitas reflexões, resolveu, finalmente, vasculhar aquela enigmática caverna, não encontrando nada que não fosse um grande vazio que lhe encheu de sabedoria, instigando-o a voltar, vitorioso, para o seu maior tesouro que era a vida que lhe aguardava do outro lado da corda. Cheio de esperança, contando, apenas, com os conhecimentos adquiridos e seu precioso equilíbrio, conseguiu chegar, finalmente, do outro lado. Depois dos sufocos e de todas as conquistas, sabia que a vida jamais seria a mesma, apesar de, aparentemente, se dedicar às mesmas coisas. Ao cruzar a linha de chegada, uma multidão curiosa lhe perguntou indignada:
— Achou o tesouro?
— Sim, eu o achei. Respondeu irradiando admiração por si mesmo.
— Como pode ter achado um tesouro se não carrega nada consigo? Perguntaram desconfiados.
— O tesouro da caverna não se carrega, conquista-se. Respondeu com sabedoria
— Como assim?
— Quem pendeu, ambiciosamente, apenas para o lado da caverna, caiu no precipício. Eu não pendi para lado nenhum, centrei no meu equilíbrio para preservar o tesouro que eu já possuía sem, no entanto, me dar conta do valor do mesmo.
— Que tesouro? Inquiriram surpresos.
— A minha própria vida. Exclamou repleto de alegria.
Ninguém deu apreço ao tesouro do palhaço, mas nem por isso ele se entristeceu, pois sabia que apenas a experiência de atravessar a corda bamba é capaz de dar ao ser humano a consciência da importância e do verdadeiro valor deste tesouro. Ele não virou herói, continuou sendo, apenas, um simples palhaço que dentro do circo desequilibrava e caía mostrando com ironia a triste condição da maioria.
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