quinta-feira, 14 de março de 2013

DESENVOLVIMENTO PESSOAL


"SEM ENVOLVIMENTO NÃO HÁ DESENVOLVIMENTO”




        Este prato é de grande importância para quem deseja crescer. Ele proporciona, a quem o prepara e degusta, a deliciosa sensação de se sentir forte e grande, dando mais consistência àquilo que pensa e àquilo que faz.



CUSTO



        O preço que se paga é proporcional ao seu crescimento, ou seja, depois que você cresce, nem tudo que anteriormente lhe servia caberá em você.



TIRA GOSTO


PRINCÍPIOS


NÃO TENHO MEDO DE CRESCER
TEMO FICAR GRANDE DEMAIS
E NÃO ME ENCAIXAR MAIS
NO SEU MUNDO PEQUENO
NESTE ESTREITO ESPAÇO HABITADO POR VOCÊ

NÃO VOU COLABORAR JAMAIS
PARA QUE FIQUE PEQUENO
APESAR DE SABER
QUE CRESCER DEPENDE
APENAS DE VOCÊ MESMO

A CADA DIA
DESCUBRO EM MIM UMA NOVA PESSOA
NÃO CONSIGO FICAR CONFUSA
APENAS, SURPRESA
CONFUNDO APENAS VOCÊ


INFRINGÍ CÓDIGOS DE ÉTICA
PARA SER ÉTICA COMIGO MESMA
 E, POR EXISTIR PRINCÍPIOS
QUE SE APOIAM NUMA TOTAL FALTA DELES
TIVE POR PRINCÍPIOS SER EU MESMA



INGREDIENTES



Fermento da fé
Farinha da motivação
Leitoso desejo de mudar
Doce consciência da verdadeira essência interior
Ovos de curiosidade (obs: a gema é bem mais amarelinha do que do ovo da apatia)



MODO DE PREPARAR


        É como se prepara um bolo. A base é constituída por alguns ingredientes indispensáveis. Mistura-se o leitoso desejo de mudar com a doce consciência de sua verdadeira essência interior, fermento da fé e farinha da motivação. Dos ovos da curiosidade, separa-se a clara da gema, ou seja, o desejo de ampliar o conhecimento daquilo que está dentro e fora de você. Depois de solve-los, poderão ser finalmente incluídas na mistura acima. Tenha muita disposição para bater com suas próprias mãos todos estes ingredientes. Não pare e bata sempre na mesma direção, pois a consistência desta mistura é que vai determinar a qualidade do bolo. Sem disposição para bater a sua massa, seu bolo não irá crescer.
        Escolha uma fôrma bem aberta e unte com otimismo para não agarrar no fundo. Quanto mais aberta, mais amplo o seu bolo. Leve ao forno e verifique se as quentes chamas das experiências da vida estão acesas para aquecê-lo. Tenha paciência para esperar o seu bolo crescer; não fique abrindo o forno antes da hora, pois este procedimento esfria o calor das chamas produzidas pelas experiências vividas, fazendo seu bolo murchar ou endurecer .
        Você poderá recheá-lo por dentro e por fora com aquele recheio que mais enriquecer a sua receita e agradar o seu paladar. Tem gente que gosta da cobertura do amor e do recheio da paciência. Outros preferem a cobertura da liberdade e o recheio da tolerância. Eu sugiro a você escolher aquele recheio e cobertura que possa tornar o seu bolo mais nutritivo e saboroso. A escolha é sua!


SOBREMESA


A ÁRVORE E O BEIJA-FLOR


No alpendre de uma fazenda vivia uma bela árvore que apesar de exuberante andava se sentindo triste e insatisfeita. Sempre carregada de flores, atraía diariamente a presença de um gracioso beija-flor que acabou por se tornar o seu melhor amigo. Nos últimos tempos estava exalando tanta tristeza que seus galhos e folhas perderam o viço assumindo uma expressão deprimida que passou a preocupar o dócil beija-flor. Perplexo com a mudança repentina de sua melhor companheira, resolveu interrogá-la para descobrir o motivo de tamanha melancolia:
— O que está acontecendo com você, amiga? Você que era tão alegre e viçosa vem assumindo nos últimos tempos uma notável tristeza e desânimo.
— De fato estou triste. Tenho tido dificuldades de reconhecer-me. Confirmou a árvore.
— Qual o motivo de sua tristeza? Perguntou novamente o beija-flor com clara intenção de ajudá-la.
— Preciso mostrar a minha verdadeira face e não consigo. Ando desanimada. Preciso crescer mais e mais, tornar-me frondosa como tantas árvores que vejo diante de mim.
— Não queira ser como as outras árvores. Cada um é o que é. Você será mais feliz se contentar com seu tamanho. Aconselhou o amigo beija-flor tentando consolá-la.
— Talvez eu tenha me expressado mal. Na verdade eu não quero ser como as outras árvores, eu quero ser eu mesma como você mesmo disse. E... Antes que pudesse prosseguir com suas explicações foi interrompida pelo beija-flor que a indagou surpreso:
— Então qual o problema! Se você busca ser o que é realmente não deveria estar triste. Deveria estar alegre de ser como é. Aliás, perfeita para mim.
— Perfeita para você, mas imperfeita demais para mim. Meu grande problema é que de uns tempos para cá passei a ser o que não sou.
O beija-flor adotou uma expressão de reprovação perguntando novamente:
 Como assim? Não estou entendendo mais nada! Dá para explicar melhor?
— Me vejo pequena e sinto que posso ser muito maior do que estou sendo. Sinto que posso ser uma grande árvore, frondosa, capaz de abrigar não só você nos meus galhos, mas todos os pássaros que desejarem o meu acolhimento.
— Eu estou muito feliz com você deste tamanho. Afirmou o beija-flor.
— O fato de estar bom para você não significa que está também para mim. Eu quero ser muito mais, inclusive muito mais do que aquilo que parece ser bom para você. Pronunciou a árvore.
Incomodado com o pronunciamento de sua amiga, o gracioso beija-flor a censurou com aspereza:
— Você está sendo muito ambiciosa e invejosa!
— E você não está me entendendo. Eu não ambiciono e nem invejo o jeito de ser das outras árvores. Pelo contrário, eu até as admiro. Eu apenas quero ser melhor do que fui ontem. Quero ser melhor do que eu mesma e não melhor do que as outras árvores. Procuro sempre me comparar comigo mesma e tenho percebido que já faz algum tempo que não mudo. Caí na mesmice e isto tem me cansado. Mudar é o meu grande desafio. Mudar para melhor! Exclamou com mais entusiasmo a árvore tristonha.
— Então você já conseguiu realizar o seu desafio. Lembro-me de você ainda brotinho. Hoje, além de ter crescido, você se transformou também em meu descanso predileto. Seus galhos, mesmo pequenos, me acolhem e suas flores me sustentam. Acalentou o beija-flor tentando conformá-la.
— Ser tudo que fui e tudo que consegui ser até agora me deixa realmente feliz. Confirmou a árvore.
— Então se agarre nesta felicidade e se desapegue desta tristeza. Recomendou o amigo.
— Mas, se eu me desapegar desta tristeza que sinto agora eu estaria me desapegando de mim mesma.
— Você vai me enlouquecer! Não estou entendendo mais nada! Que benefício você pode ver na tristeza? Perguntou cheio de perplexidade o amigo beija-flor.
— A tristeza me trouxe um importante aviso de alerta. Se eu não ouvi-la agora, corro o risco de me transformar daqui para frente numa boba alegre. Advertiu a árvore com sensatez.
— Boba alegre?
— Sim. Boba alegre finge alegria. Eu não quero fingi-la; quero vivê-la plenamente. Se a alegria que sempre me habitou com toda a sua algazarra deixou a tristeza falar, é porque o recado que ela traz, com certeza, é importante.
— Qual o recado que a tristeza lhe traz? Perguntou o beija-flor.
— A tristeza me diz que eu posso ser mais do que estou sendo. Diz-me também que ando parada, estagnada. Ela tenta me mostrar, com esta dura verdade, a alegria que me aguarda mais à frente caso eu não me acomode. Sendo assim, eu preciso me expandir. Afirmou a árvore.
— E como você vai fazer isto?
— Eu não sei. Tenho me esforçado para conquistar esta expansão, mas não tenho conseguido o que realmente desejo. Não consigo entender o que me falta.
— Talvez não lhe falte nada. Talvez você ande querendo ter mais do que pode ter realmente. Finalizou o beija-flor voando em direção a árvore mais próxima que parecia não ter tantos conflitos existenciais.
A árvore permaneceu ali, sozinha e irritada com seu melhor amigo, que parecia não compreender seus anseios. Sabia que dificilmente qualquer ser compreenderia o que se passava no seu interior. Além de seu desejo de crescer, manifestava dentro de si um desejo pouco comum para uma árvore. Tinha também desejos de sair daquele lugar que vivia, mesmo consciente de que uma árvore não poderia sair andando por aí. Era como se estivesse plantada num lugar que não era o seu. Era como se suas raízes estivessem fincadas em um falso chão. Precisava encontrar o seu solo, mas a própria vida a havia colocado ali. Possuía uma energia que a movia para o crescimento, no entanto, não conseguia observar nenhum movimento de expansão acontecendo consigo já há algum tempo. Passou uma boa temporada vivendo este conflito e lamentando chorosa a sua condição de ser. Do choro somou-se a revolta consigo mesma, bombardeando-se com ataques depreciativos. Chegou a pensar que talvez fosse pequena de fato e que tudo que sentia e almejava não passasse de uma bela fantasia. Quando, sem perspectivas, começou finalmente a se preparar para aceitar uma condição que inicialmente julgava não ser a sua, passou por aquela região um violento tornado que tornou tudo muito diferente.
A fúria da natureza parecia querer mudar tudo de lugar. Assistiu um drama que tornou-se seu também. Em meio ao arrastão meteorológico, viu-se também sendo levada sem destino para algum lugar que não sabia onde. Consciente de que havia sido deslocada de seu local de origem, não entendia o fato de sentir suas raízes ainda presas ao chão. Era como se tivesse carregado seu solo consigo. Sem resistência para enfrentar a força avassaladora, permitiu-se ser conduzida acreditando nos desígnios da natureza. Cessado o furor de uma natureza que desconhecia, chocou-se repentinamente na encosta de um grande rio. O choque produziu um barulho estranho de algo rachando em torno de si. Crac!!!!!!!!!! Lembrou-se de uma história contada pelo seu grande amigo beija-flor ao retratar a mágica de seu nascimento:
— “Quando aquele ovo que me continha se rachou, eu pude me alongar e me sentir livre”.
Podia ouvi-lo apesar da sua ausência. Aquele choque sobre a encosta lhe provocava a mesma sensação que o seu amigo sentira no momento do nascimento. Era como se estivesse saindo de um ovo. A terra que outrora apertava suas raízes pareceu relaxar.
Suas raízes iniciaram um movimento de alongamento buscando, concomitantemente, fixar-se em um mundo novo aparentemente sem limites. Podia agora adentrar-se num universo completamente diferente de tudo que vivera. Desgalhada e desfolhada foi cumprimentada pelo belo rio que corria majestosamente à sua frente:
— Seja bem vinda à sua nova morada!
— Obrigada! Acho que estou meio tonta. Não consegui ainda entender o que se passou comigo. Agradeceu estressada.
— Ao invés de entender, procure sentir as diferenças. Aconselhou o rio com sabedoria.
Apesar de todo o estresse, sentia-se mais relaxada como se tivesse libertado de algo que aprisionara. Limitou-se a seguir os conselhos do rio sentindo cada diferença que a sua nova morada lhe proporcionava. Uma sensação de bonança apoderou-se de si. A cada dia suas raízes se fixavam cada vez mais naquele novo chão. Novas estações vieram e com elas novos galhos, ramos, folhas e flores foram brotando de seu corpo que pareceu ter passado por um processo de renascimento.
A tristeza e a insatisfação se dissiparam com a força do tornado que a tornou, dia após dia, cada vez mais forte, frondosa e alegre. Transformou-se, finalmente, naquilo que sempre julgou ser. Grandiosa, acolhia em seus galhos pássaros de inúmeras espécies. Estava feliz, pois não se sentia mais como no passado, limitada a algo inexplicável que a impedia de crescer. No entanto, a saudade de seu amigo beija-flor lhe impedia sentir-se totalmente realizada. O terrível tornado que acabou se tornando uma bênção em sua vida lhe separou da melhor companhia que possuía. Sentia falta de suas histórias e até mesmo da dificuldade que seu estimado amigo possuía para compreendê-la. Nenhum pássaro seria capaz de substituí-lo. Vivendo este sentimento, compreendeu o quanto é insubstituível cada ser que nos cativa.
Entorpecida pela nostalgia dos velhos tempos foi despertada pela chegada estranha de um velho beija-flor que, já cansado, soava um canto triste que tocou profundamente o seu coração. Ofereceu ao mesmo as boas vindas e o farto alimento que poderia extrair de suas flores que magicamente tornava a vida mais doce:
— Seja bem vindo a esta nova morada e fique nela quanto tempo desejar.
— Quanta hospitalidade! Exclamou o beija flor.
— A minha hospitalidade é fruto da grandeza que me foi concedida. Completou a árvore hospitaleira.
— Você me faz lembrar de uma grande amiga do passado que ainda se faz presente dentro de mim. Falou cheio de saudade aquele velho e cansado beija-flor.
— Ela era assim, grande como eu? Perguntou a árvore cheia de curiosidade.
— Ela tinha uma alma grandiosa, mas não conseguia crescer. Sofria com isto, pois não conseguia entender a paradoxal condição de seu ser - "Ser pequena sentindo-se tão grande". Eu era um dos poucos pássaros que buscava refúgio em seus galhos.
— Onde ela vive? Perguntou a árvore.
— Não sei se ela vive, só sei que viveu por um bom tempo dentro de um lindo vaso de cerâmica enfeitando a minha vida e o alpendre de uma suntuosa fazenda. Respondeu o beija-flor com pesar.
— Mas o que aconteceu com ela? Ela não vive mais lá?
Com os olhos lacrimejando, o velho beija-flor contou o suposto trágico fim de sua melhor amiga:
— Algum tempo atrás, um grande tornado passou por lá e levou a minha querida companheira. Ela levantou vôo como se fosse um pássaro. A mercê de um vaso de cerâmica, incapaz de se sustentar com a força do vento, foi levada para algum lugar que não se sabe onde. Se tivesse suas raízes presas ao chão, com certeza teria se salvado, pois era forte demais.
Naquele exato momento, uma emoção grandiosa tomou conta daquela árvore. Finalmente, além de poder compreender a razão de seu nanismo no passado, mediante as informações repassadas pelo novo inquilino, pôde também ter certeza de que aquele velho beija-flor era o seu jovem companheiro. Tomada de emoção, indagou o seu discurso fatídico:
— Como pode ter certeza de que ela não se salvou?
— A ausência dela me diz isto. Respondeu o velho amigo.
— Às vezes, a ausência nos provoca um vazio tão grande que a gente se perde dentro dele e não consegue perceber a presença daquilo que nos é mais valioso. Advertiu a árvore.
— Pode ser, mas o meu sonho é poder voltar naquela fazenda e encontrar, naquele alpendre, a minha querida amiga. Ah, se essa mágica acontecesse! Eu ficaria muito feliz! Exclamou o beija-flor fantasiando um reencontro.
— Esta mágica traria, ilusoriamente, a sua felicidade e, realisticamente, a ruína de sua amiga. Censurou a árvore com firmeza.
— Como assim? Perguntou o beija-flor surpreso com a intervenção daquela árvore que falava com segurança de uma vida que mal conhecia.
— Agora eu entendo porque sua amiga não crescia e entendo ainda mais o sofrimento dela. Assegurou-lhe a árvore.
— Como você pode entender se nem mesmo ela entendia? Retrucou o amigo.
— Ela sabia que vivia contida, mas não sabia que vivia dentro de um vaso. Replicou a árvore tentando explicar a sua passada condição.
— Como ela poderia não perceber o vaso que vivia?
— O vaso era seu mundo. Não tinha consciência de que existia um vasto mundo lá fora. Tinha consciência apenas do grandioso universo que existia dentro de si e da dificuldade de expandir-se conforme o potencial que possuía. Jamais conseguiria se tornar uma árvore como sou hoje restrita a um vaso que lhe demarcava um território tão limitado. Conjeturou a sábia árvore.
— Na verdade aquele vaso não era tão pequeno assim. Era apropriado para o seu tamanho. Uma árvore pequena não precisa de um grande vaso.
Percebeu que o amigo beija-flor continuava o mesmo. Parecia não conseguir enxergar o que para ela era óbvio. Irritada com a sua ignorância, repreendeu rispidamente:
— Como pode dizer que ela era pequena? Será que não consegue perceber que o vaso lhe impedia crescer conforme o seu verdadeiro potencial? Ela se libertou daquele vaso e acho que você precisa se libertar do seu.
— Eu não estou plantado em vaso algum. Sou um pássaro, sou livre e posso voar.
— Você é um pássaro que semeou a sua forma de pensar num vaso bem pequeno. Talvez um tornado possa um dia chegar, agitar sua cabeça e quebrar este vaso que limita a possibilidade de você enxergar.
— Eu não tenho problemas de visão. Eu enxergo muito bem. Certificou-se o pássaro.
— Então me diga, como você me vê? Quem acha que sou? Perguntou, ansiosamente, a árvore amiga.
— Na verdade eu te vejo como o sonho de minha velha amiga. Por eu estar muito preso a ela, talvez eu tenha mesmo um pouco de dificuldade para lhe perceber tal como você é. Mas, no fundo te acho bem convencida ao tentar explicar fatos que não lhe pertencem.
Impaciente, a bela árvore lhe ofereceu uma apresentação formal e se preparou para um grande abraço:
— Meu velho amigo, como pode dizer que esta história não me pertence. Eu a construí à custa de muito sofrimento. Olhe para o chão e verá ainda próximo às minhas raízes os fósseis da minha prisão.
O beija-flor dirigiu seu olhar para o chão e verificou que, ainda próximo à raiz daquela árvore, repousava pedaços de cerâmica idênticos à cerâmica do conhecido vaso que habitou por tanto tempo sua querida amiga. Emocionado e envergonhado soluçou algumas palavras tentando um reconhecimento:
— Eu não posso acreditar que você é você!
— Você nunca acreditou em quem eu era realmente. Só acreditava naquilo que podia ver. Não acreditava na minha essência, nos meus sonhos e nos meus sentimentos. Relembrou a árvore.
Decepcionado consigo mesmo, o beija-flor clamou ao divino:
— Oh, Deus! Qual o tamanho do vaso que me limita? Eu que pensava ser livre... O tornado passou e não rompeu o meu vaso. Talvez a realização do meu maior sonho possa romper a cerâmica da óbvia certeza que me habitou até este exato momento mantendo rígidos os meus pensamentos.
A árvore repleta de afeto e sabedoria aproveitou-se de uma brisa para abraçá-lo com seus galhos e felizes viveram o reencontro de tudo aquilo que pareceu um dia ter ficado perdido. Para que nunca mais se esquecessem da lição do tornado, o presságio de uma tempestade passou a ser sempre marcado pelo importante aviso do vento:
— Nunca se esqueçam de avaliar o tamanho do vaso ou do espaço onde foi semeado seus pensamentos, suas emoções, seus sonhos, enfim sua vida. Há um espaço infinito para tudo e para todos, mas nem sempre reconhecido e vivido

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

CORAGEM



“A VIDA NÃO SE MANIFESTA PARA QUEM TEM MEDO DELA”


CORAGEM

         Coragem é um prato que todo mundo sabe que faz um grande bem para a alma. No entanto, todos têm receio de prová-lo, talvez por ser um pouco apimentado. Esta pimenta é como um combustível que queima como fogo, fazendo com que a pessoa se mova em direção ao que precisa enfrentar para conquistar seus objetivos e realizar todos os desejos que pulsam forte no seu coração. É na verdade um tônico para tudo que desejamos realizar.


CUSTO



         Se paga a pena da legítima defesa por ter matado o medo de fome desviando para a preciosa coragem todo o investimento que antes era reservado apenas para o esfomeado medo fortalecendo-o. Sendo assim, você será, com certeza, absolvido da prisão que o medo lhe condenou.



TIRA GOSTO


ALIANÇA


ONDE MORA O MEDO?
ELE MORA NAS ENCRUZILHADAS
CHEGUEI ATÉ UMA DELAS
E O ENCONTREI FORTE E DESTEMIDO

MEDO DESTEMIDO
MEDO SEM MEDO
MEDO CORAJOSO
ENCURRALA A TODOS SEM DÓ

O MEDO SABE O QUE QUER
QUER QUE AS PESSOAS NÃO SAIBAM
SABE MOSTRAR BEM OS PERIGOS DA VIDA
E DEIXA CLARO QUE A CORAGEM É UM DELES


O MEDO APRISIONA A ALMA
NÃO PERMITE A VIDA
NÃO PERMITE A MORTE
NÃO PERMITE A TRANSFORMAÇÃO

DIANTE DO MEDO ESTREMECI
EVITEI A VIDA
EVITEI A MORTE
EVITEI A TRANSFORMAÇÃO

OBSERVANDO A FORÇA DO MEDO
O ADMIREI ALIANDO-ME À SUA FORÇA
IDENTIFICANDO COM ELA, DESEJEI SER FORTE TAMBÉM
A FORÇA DE MEU DESEJO CRIOU A CORAGEM

A CORAGEM ALIOU-SE A MIM, LIBERTANDO-ME
PERMITINDO-ME VIVER
PERMITINDO-ME MORRER, SE NECESSÁRIO
TRANSFORMANDO-ME

EM MEU PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO
HÁ ESPAÇOS PARA O MEDO
HÁ ESPAÇOS PARA A CORAGEM
HÁ ESPAÇOS PARA MIM E PARA VOCÊ

QUERO-ME E QUERO-TE
VIVENDO, MORRENDO, VIVENDO
COMIGO, SE DER
SE DER BEM COMIGO


INGREDIENTES


Aceitação
Decisão
Otimismo sem medida (à vontade)
Determinação bem afiada
Confiança madura
Experiência de vida para o recheio


PREPARO



         Se você souber preparar uma boa linguiça, não terá dificuldade para preparar-se para a coragem. O mecanismo é o mesmo. Se não souber, prepare-se para aprender.
         Tripa de porco a gente poderia jogar fora. No entanto, a gente limpa, enche com muita carne boa, temperos e está pronta a linguiça para ser levada ao fogo e ingerida saborosamente.
         O medo é como uma tripa cheia de “merda” dentro dela. Usando um linguajar mais refinado, poderíamos dizer que os bolos fecais que o intestino retém em seu interior se associariam às fantasias e pensamentos negativos que o medo retém. Sendo assim, o primeiro passo é aceitar que suas tripas estão cheias de “merda” para, posteriormente, tomar a decisão de limpá-las, pois uma linguiça com restos fecais poderia causar um grande dano ao organismo. Desta forma, não tente se enganar. O primeiro passo é tomar consciência de seus pensamentos negativos e se propor, definitivamente, desapegar-se dos mesmos, pois fragmentos destes, ao invés de coragem, poderão gerar autodestruição. Deixe jorrar muito otimismo sobre os pensamentos e fantasias negativas, da mesma forma que se limpa as tripas deixando a água correr por dentro e por fora delas  eliminando qualquer resíduo fecal. Para a limpeza ser bem feita, se vira a tripa ao avesso, com a faca raspam-se as gosmas passando limão e fubá para retirar qualquer ranço. Saiba que o mesmo deverá ser feito com o medo. Assim que for virado ao avesso, lentamente ele irá se transformando em coragem. Sem medo não se prepara coragem, ela depende dele para existir. A coragem é o lado avesso do medo. Raspe o medo com uma afiada determinação, retirando as gosmas da covardia e passando bastante fé e confiança para eliminar os ranços de qualquer insegurança que estiver impregnado no mesmo. Feito isto, o medo se transformará em coragem podendo finalmente ser recheado com a experiência que você tanto deseja vivenciar.
         Quando estiver saboreando sua deliciosa linguiça, com certeza se lembrará do sábio ditado de ter feito das TRIPAS, CORAÇÃO.



SOBREMESA


              
UMA VIAGEM POR DIVERSOS SABORES

DEDICO ESTA ESTÓRIA ÀQUELE PEIXINHO QUE NADA NO FUNDO DO SEU CORAÇÃO


 Vou contar para você a história de um peixe um pouco diferente dos demais. Peixes vivem em água doce ou salgada. Este vivia num pequeno lago de águas amargas. Num passado remoto, o lago que vivia fora lindo e cristalino; porém, a instalação de uma indústria de produtos químicos em seus arredores, começou lentamente a poluí-lo, amargando definitivamente as águas do mesmo. Todos os seres que ali viviam foram ficando amargos como as águas do lago. Sentiam muita raiva de viver ali, mas não conseguiam sair dali por acreditarem que aquele era o único lugar do mundo capaz de abrigá-los. Mas, como toda regra tem uma exceção, havia lá o tal peixinho que pensava diferente e, por pensar diferente, ele acreditava em coisas totalmente diferentes de todos os habitantes do lago. O sabor amargo daquele lago nunca agradou o seu paladar, intensificando seu desejo de poder sair daquele lugar.
O sonho do peixinho era cantar, sonho este bem incomum para um peixe. Os outros peixes olhavam para ele com pena e descrédito. Alguns teciam comentários, numa tentativa de desestimulá-lo:
— Peixes não cantam e, se cantassem, você jamais seria capaz de cantar. És pequeno demais. Se acomode e faça como todos nós, sacuda seus sonhos no canal ribeirinho para que eles possam ir embora para sempre e não lhe perturbar mais.
 Outros diziam:
— Fique caladinho que é melhor! Aprenda a gostar daqui, pois este é o seu lugar. Somos tão miseráveis! Seja caridoso e pense numa forma de aliviar a nossa dor. O canto jamais poderá trazer benefícios e enriquecimento a você e ao nosso mundo.
         A única coisa que aquele peixinho não conseguia era ficar calado. Carregava consigo o dom de acreditar mais em seus sonhos do que no conformismo daqueles seres. Falava sempre com muita firmeza naquilo que acreditava:
— Eu não amo este lugar! Eu não me sinto seguro aqui! Quando eu conseguir amar e sentir-me seguro e feliz, estarei definitivamente livre da amargura que vocês sentem.
         Alguns o ironizavam, dizendo:
— Até parece que você não é amargo também. Você vive aqui e não há como ser diferente. Esta é a nossa característica.
O peixinho argumentava:
— Vocês estão enganados. Eu vivo nos meus sonhos e não sou amargo. Posso estar amargo, mas estar é diferente de ser. Serei aquilo que sonho! De agora em diante irei à busca da liberdade de vivê-los intensamente. Ao contrário de vocês, meus sonhos não me incomodam, eles me entusiasmam. Eu não tenho medo de ser feliz.
— Se você procura a segurança, saiba que a liberdade não oferece segurança para ninguém. Ela apenas impõe riscos que nenhum ser aqui teve a coragem de assumir. O nosso lago é seguro, pois nos protege dos riscos. Para se libertar do lago amargo, terás de passar pelo canal ribeirinho onde todos nós despejamos os nossos sonhos assim que eles começam a nos incomodar. O canal é estreito demais e, com certeza, você não resistiria. Haja coragem para enfrentá-lo!
— Prefiro a morte a me amarrar a esta falsa segurança que vocês pregam. É preciso arriscar para conquistar a felicidade.
Com muita raiva de tudo, porém determinado, o peixinho partiu sem querer ouvir mais nada. Sentiu que ensurdecer diante do pessimismo era a melhor maneira de seguir em frente. Partiu com sua raiva, fruto de sua amargura, acreditando poder deixá-la ao longo do caminho. Mas partiu também com sua coragem, acreditando aumenta-la cada vez mais durante sua trajetória. Aceitando os desafios, embrenhou-se no tão falado estreito canal que, realmente, o fez sentir-se apertado e comprimido. Teve medo, chorou muito, viveu a dor, menos o conformismo. Quanto mais doído se sentia, mais vontade ele tinha de sair dali. Apesar de sentir-se enfraquecido pela dor, carregava dentro de si a força de seu sonho e um possante otimismo. Esta força o impulsionava à frente. Precisava lutar, jamais se render. E foi assim, nadando e lutando incessantemente, confiando apenas em si e em Deus, que conseguiu finalmente desaguar-se num belo rio de águas cristalinas. Neste momento, foi como se tivesse acontecido uma explosão dentro dele mesmo. Era como se tivesse sendo parido para uma nova vida. Passado o aperto, pôde experimentar um sabor diferente que muito agradou o seu paladar. Sentiu-se grande, bem maior do que o peixinho do lago amargo. Pensou que havia encontrado o seu lugar definitivo, que finalmente deparara com a concretização de seu sonho.
Viveu ali por algum tempo revolucionando as águas daquele rio, ensinando para muitos peixes o que na verdade nunca fizera antes — cantar. Ficava confuso por saber algo que na verdade nunca lhe fora ensinado. Era como se aquela habilidade para cantar fosse inata. Descobriu que qualquer peixe poderia cantar, cantando. Certificou-se que seu sonho não era uma ilusão, mas uma realidade, que poderia ser vivida por todos os peixes que partilhassem deste mesmo sonho e que tivessem, antes de tudo, muita confiança em si mesmos.
E assim ele foi descendo rio abaixo ensinando aos peixes que se pode morrer pela boca, mas se pode também viver plenamente através dela. Teve que ser muito esperto para não ser fisgado por anzóis ou preso a redes e outras armadilhas. Viver experiências novas e desafiadoras lhe fazia sentir-se mais forte e seguro.
O tempo foi passando e à medida que nadava rio abaixo foi percebendo que, num determinado lugar e momento, as águas do rio foram ficando turvas e poluídas. O cenário foi mudando gradativamente, já não tinha diante de si um caminho cristalino, tudo parecia opaco. Ficou confuso com esta mudança repentina, pois pensara já ter conquistado uma condição segura, confortável e garantida de vida. Não sabia mais se esta nova característica do rio estava presente apenas naquele lugar ou se havia acontecido uma transformação repentina semelhante ao acontecido no antigo lago que vivera. Foi crescendo o desejo de se libertar daquele novo e incômodo acontecimento. Olhava para frente, olhava para trás e empacado não conseguia definir qual o melhor caminho. Apesar de não saber ainda o que fazer, sabia apenas que aquele já não era mais um lugar agradável para se viver. Como todos os peixes gostavam muito de seus ensinamentos e do seu jeito de ser diziam:
— Fique com a gente, você nos ensina tanto! Precisamos de você para ficarmos do tamanho de nossos sonhos. Olhe como as águas à sua frente estão turvas. Você não sabe o que vai encontrar. É mais seguro ficar aqui. Se nadar de volta contra a correnteza poderá encontrar o rio límpido outra vez.
Algumas vezes, receoso, com aquela significativa , resistiu seguir em frente e nadou contra a correnteza numa tentativa de encontrar as águas límpidas anteriormente vividas. No entanto, foi ficando muito cansado, cada vez mais cansado e sem esperanças de encontrar as águas cristalinas que buscava trilhando aquela direção. Parecia que todo rio tinha se transformado num rio de águas poluídas. Teve medo de ficar amargo novamente, pois o seu cansaço ora se transformava em raiva. Teve saudade da paz dos tempos cristalinos que, limpara toda a amargura que carregara no seu íntimo. Entretanto, foi percebendo que não dava para voltar. Tinha conquistado a sabedoria de que seguir em frente era sempre o melhor caminho. Num ímpeto de coragem, decidiu arriscar mais uma vez. Chegara à conclusão de que ali não era mais o seu lugar. Gritou finalmente para si mesmo e para todos seus companheiros:
 — Eu não quero ficar parado aqui e nem mesmo voltar atrásA ida é sempre mais interessante do que a volta, pois guarda com ela o mistério de tudo que se pode encontrar. A ida em busca dos meus sonhos me aguarda e me entusiasma. Este já foi o meu lugar, no entanto, já não é mais. Vocês não precisam de mim para ficarem do tamanho de seus sonhos, vocês precisam apenas da coragem de vivê-los.
Lançou-se nas águas turvas deixando que a correnteza lhe levasse por algum tempo. Deixando-se levar, sentiu-se mais leve e tranquilo mesmo sem enxergar com clareza o que estava à sua frente. Sentiu-se sozinho e com frequência se assustava ao confrontar-se com obstáculos que só eram percebidos ao se chegar bem próximo deles.  Mesmo um pouco inseguro, continuava convicto de que não dava para voltar atrás. Entregou-se à correnteza da vida sem, no entanto, render-se a ela.
O tempo passou como sempre e finalmente chegou o dia de novas e inesperadas mudanças. Repentinamente, começou a sentir um sabor estranho, diferente de todos já experimentados; não era amargo e não era doce, era salgado. Sem conseguir definir os limites de um ou de outro, foi lançado num mundo novo e cristalino onde parecia estar usando lentes azuis de aumento. Imerso numa imensidão azul, que lhe proporcionou uma sensação de leveza e relaxamento, foi possuído por um agradável e misterioso encantamento. Tudo era grande, até mesmo os obstáculos. Mas, as possibilidades eram enormes também. Montanhas e seres enormes habitavam aquele local. Sua morada ali poderia e deveria ser bem maior, pois já não era mais um peixinho pequeno e amargo. Transformou-se num ser abissal e confuso ficava a pensar consigo:
 — Será que não conseguia enxergar-me por ter vivido em ambientes turvos ou será que os grandes espaços é que são capazes de nos transformar em grandes seres?  
Sem obter respostas para as suas indagações continuava nadando. Tudo era novidade. Vendo diante de si inúmeras conchas, aproximou-se da maior delas perguntando:
— Quem são vocês?
— Somos ouvidos. Respondeu a concha com uma voz que parecia mais um eco.
— Para que servem os ouvidos?
— Para ouvir o canto dos golfinhos, das baleias e de todos os seres que sabem cantar e nos alegrar.
 Com um sorriso imenso nos lábios e certo de que a canção naquele mundo era bem vinda, o pequeno e grande peixinho pôs-se a cantar uma canção que expressava uma grande indagação:                                                                           

 SOU GRANDE
POR QUE?
ESPAÇO
PRA QUE?
DIGAM-ME POR QUE
ENSINEM-ME PRA QUE
E ASSIM...
SEREI

Quando terminou de cantar a grande concha lhe disse:
— Linda música! Acho que o mar adorou e acabou lhe dando rapidamente uma resposta.
— Qual? Perguntou o peixinho
— Você não ouviu? Perguntou a concha surpresa.
— Não, talvez ele tenha falado muito baixo.
— Ou talvez você não tenha ainda aprendido a escutar o mar. Continuou a concha.
— Pode ser, afinal sou muito novo por aqui. Tenho muito que aprender. Mas estou curioso, o que o mar respondeu?
— Ele disse que você é grande porque cresceu e cresceu porque foi corajoso o suficiente para abrigar a felicidade e a prosperidade que moram agora dentro do seu ser. Basta exerce-las, elas só habitam e são habitadas pelos grandes.
E assim termina a história de um peixinho que experimentou sabores bem diferentes de vida, todos eles importantes para apurar o seu paladar. Ao decidir correr o risco de ser ele mesmo, deixou de lado o rejeitado sabor amargo que passou a ser também um registro presente, porém apenas como lembrança de tudo que não se deveria ser. Hoje, quando olho para aquários, lagos, represas, rios e mares, fico a pensar onde mora o peixinho que habita o nosso ser.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

PACIÊNCIA



“EMBALE A VIDA COM PACIÊNCIA, DEIXANDO-A TÃO TRANQUILA A PONTO DE ADORMECER, SONHAR OS MAIS BELOS SONHOS PARA ACORDAR CHEIA DE ENERGIA
PACIÊNCIA


         Este alimento lhe proporciona calma, tranquilidade e a importante capacidade de saber esperar o momento certo para agir ou colher os frutos de sua ação.


CUSTO



         Você paga o preço da espera. Este preço é alto para quem investe na ansiedade. Todavia, quem direciona seus recursos aplicando-os na paciência terá a lucratividade da calma, da paz que estará sempre rendendo juros e correções na poupança de seu coração.


TIRA GOSTO


ADIANTA?



O QUE ADIANTA

ADIANTAR O RELÓGIO

SE LOGO ADIANTE

O SOL VAI SE PÔR

NO SEU PRÓPRIO TEMPO


O QUE ADIANTA

ADIANTAR A VIDA

SE LOGO ADIANTE

ELA VAI SER PERDIDA

JAMAIS REVIVIDA


O QUE ADIANTA

ADIANTAR O PASSO

SE LOGO ADIANTE

HÁ COMPASSOS DE VIDA

CADA VEZ MENORES


O QUE ADIANTA

PRESSIONAR O CORAÇÃO

SE LOGO ADIANTE

ANTE PRESSÃO

ENFARTA


O QUE ADIANTA

ADIANTAR

SE DIANTE DE NÓS

TANTO HÁ

PARA SER VIVIDO E SENTIDO



INGREDIENTES


Doce calma

Tempero da tolerância

“Aceite” paz

Ervas de serenidade


PREPARO


         Para preparar paciência não basta apenas esperar. É necessário esperar com tranquilidade. Esperar com ansiedade estraga toda a receita, pois com certeza você terá atitudes que danificarão o alimento.

         Você já preparou tomate seco? A receita da paciência é similar.

         Pegue o fruto do nervosismo que existe dentro do seu ser e retire dele a semente da aflição. Adoce-o com calma e tempere-o com tolerância. Leve-o ao forno da vida bem aquecido com o calor da tranquilidade. Deixe seu nervosismo desidratar até secar. Para isto, terá que esperar muito e, sem ansiedade, pois se ficar abrindo o forno a todo o momento, poderá esfriar a tranquilidade tão necessária ao importante processo de transformação que deverá ocorrer. A espera não poderá jamais ser determinada por você. Ela dependerá exclusivamente do tempo que seu nervosismo necessita para murchar e secar, de forma a permitir a tão esperada transformação. Assim que seu nervosismo secar, originará a deliciosa paciência que poderá ser finalmente saboreada.

         Preparar paciência é mais que uma arte culinária, é também uma ciência, pois envolve processos complexos de transformação. Assim como os tomates secos deverão ficar imersos num azeite de boa qualidade, deixe também a sua valiosa paciência imersa no “aceite” da paz,  para que possa estar a todo o momento hidratada com a poderosa ciência da paz, que passará a ser parte importante de sua constituição. Para ficar ainda mais gostosa, jogue umas ervas de serenidade para dar um sabor especial.


SOBREMESA




A BOA SEMENTE



         Um respeitável mestre abriu uma loja de sementes. Cada semente que vendia fazia brotar a árvore de um sentimento. Certo dia, chegou até ele um homem por demais impaciente. Pediu que lhe sugerisse a semente mais indicada para o jardim de sua vida. Com muita sapiência, o mestre lhe indicou a semente da paciência. Satisfeito, o homem a levou certo de que iria colher os frutos mais adequados à sua alma faminta.

         Com muito cuidado, semeou a semente da paciência cuidando da mesma com muito carinho e dedicação. Ansioso por vê-la brotar, foi se frustrando dia após dia com o marasmo daquela semente que parecia rejeitar a vida. O tempo passava e ela continuava ali da mesma forma, contida numa casca dura, difícil de rachar. Dominado pela ânsia, resolveu procurar o mestre mais uma vez para reclamar o produto adquirido.

— A semente que me vendeu é improdutiva. Não há nada que a faça germinar. Eu não a quero! Eu desejo aquela que brote mais rápido dentre todas as sementes que tiver na sua loja. Ordenou enfurecido.

— Tem certeza? Perguntou o mestre.

— Absoluta certeza. Confirmou o homem.

         Acatando a solicitação impaciente daquele homem, o mestre trouxe uma outra semente, oferecendo-a consternado.

— Aqui está a semente que tanto deseja.

         O homem partiu satisfeito com a semente oferecida pelo mestre, certo de que iria ver finalmente brotar alguma planta no seu jardim. Jogou-a sobre a terra e antes que dirigisse a ela qualquer cuidado especial, viu brotar em seus canteiros, como num passe de mágica, centenas de ervas daninhas.

— Ervas daninhas! Gritou assustado.

         Sem saber o que fazer com a sua produtiva e inconveniente safra, procurou novamente o mestre, exigindo uma explicação que fosse razoável e aceitável para tão lamentável fato.

— Como pôde me oferecer sementes de ervas daninhas? Censurou-o irritado.

— Eu apenas realizei o seu pedido. Foi você quem me pediu a planta que brotasse mais rápido — justificou o mestre — A ânsia é a semente mais fácil de germinar no jardim da vida e parece que você possui um terreno demasiadamente fértil, que favorece o cultivo dela.

         Admitindo sua culpa e sentindo-se envergonhado, o homem desculpou-se perante o mestre e suplicou sua ajuda.

— Por favor, me fale como poderei me livrar destas ervas daninhas.

— Só há uma forma de livrar-se delas. Advertiu o mestre semeando esperança naquela desiludida alma.

— Me diga, prometo que farei o que for necessário.

— A semente da paciência que lhe ofereci anteriormente, quando germinada, crescerá e sufocará com sua sombra cada erva daninha do seu jardim. Explicou o mestre.

— Mas esta semente demora demais para germinar. Questionou-o cheio de impaciência.

— Nenhuma outra semente conseguirá sobreviver em meio às ervas daninhas que semeou. Por mais que cuide delas, morrerão sufocadas e esmagadas pelo aroma e espinhos da ansiedade que brotou no seu jardim. Apenas a árvore da paciência consegue suplanta-las. Ela não tem pressa, se desenvolve no seu próprio ritmo e tempo e não no ritmo imposto por você.

— Mas eu tenho pressa! Esbravejou aquele homem, desejando uma alternativa mais viável à sua tamanha ansiedade.

— Por causa de sua pressa colheu ervas daninhas — Assegurou o mestre. — Por que tens tanta pressa?

— Acho que estou com fome. Preciso saborear os frutos da paciência, mas não consigo esperar. Quem tem fome não pensa em outra coisa que não seja sacia-la.

         Olhando a expressão faminta daquele homem, o mestre teve a impressão de que aceitaria qualquer alimento, mesmo nocivo, que pudesse encher o estômago vazio de sua alma. Tentando ajuda-lo, advertiu-o com doçura:

— Para matar a sua fome, você precisa primeiro preparar o seu alimento. Parece desejar fazer o caminho inverso.

— Será que consigo preparar o meu alimento dominado por esta fome que me tira a força, fazendo-me sentir fraco?

— Sei que não será fácil, mas com certeza aprenderá a dar mais valor ao alimento que realmente necessita. Não adianta querer substituí-lo pelas indigestas ervas daninhas que, além de venenosas possuem um terrível sabor. Finalizou o mestre.

         Transtornado, o homem partiu com a boa semente e com a sua terrível fome. Não sei dizer qual delas venceu a outra. Eu só sei que já vivi uma história mais ou menos assim e posso lhes garantir que a casca da paciência é dura de rachar, mas se rompe um dia,  bastando apenas que saibamos aceitar e curtir o momento presente esperando com alegria a gestação de tudo que está por se desenvolver e tomando o máximo cuidado para não forçar o parto imaturo de tudo aquilo que não está ainda preparado para viver plenamente.

         Quanto à minha fome, ela só terminou no dia que pude saborear os frutos da árvore  que com tanto zelo plantei. Sabem o que fiz para dominá-la? Preferi resignifica-la  transformando-a num  jejum difícil, porém necessário para purificar a minha alma.

domingo, 30 de dezembro de 2012

FELICIDADE



“FELIZ AQUELE QUE MESMO TRANSITANDO EM SUAS TRISTEZAS, CONSEGUE EQUILIBRAR-SE, NEGANDO-SE CARREGAR UM PESO CAPAZ DE ABALAR OU DESTRUIR O ALICERCE DE SUA FELICIDADE”


FELICIDADE


Felicidade é um prato constituído por uma multivariedade de ingredientes saudáveis. Algumas pessoas demonstram grande dificuldade para prepará-lo, pois exigem ter em suas prateleiras todos os ingredientes que o hipermercado da vida tem para oferecer. No entanto, o grande segredo para uma boa nutrição não repousa na quantidade de elementos a serem utilizados, mas na sabedoria de aproveitar ao máximo as propriedades nutritivas de cada alimento que o indivíduo tiver acesso.



CUSTO



Felicidade tem um alto custo para os exigentes que acabam pagando o preço da indigesta frustração e desenvolvendo a falsa crença de que este prato é uma ilusão. E nada custa para quem sabe humildemente fazer combinações saudáveis.



TIRA GOSTO


REMEXENDO A FELICIDADE


REMEXI A FELICIDADE
ENCONTREI O AMOR ACARICIANDO
A ALEGRIA GARGALHANDO
A SAÚDE TONIFICANDO
A CRIATIVIDADE IDEALIZANDO
A VERDADE REVELANDO
A SOLIDARIEDADE DOANDO
O DINHEIRO FACILITANDO
O TRABALHO EXECUTANDO
A FÉ ILUMINAMDO
A CORAGEM ENFRENTANDO
A LIBERDADE DESAMARRANDO
O PRAZER GOZANDO
O TESÃO DESEJANDO
O MISTÉRIO DESAFIANDO
O RESPEITO REVERENCIANDO
O PERDÃO ACEITANDO
A HUMILDADE VALORIZANDO
A SIMPLICIDADE DESCOMPLICANDO
A TOLERÂNCIA SUPORTANDO
A CONFIANÇA DESARMANDO
O HUMOR BRINCANDO
A PACIÊNCIA ESPERANDO
O DIVINO ME ORIENTANDO
MEXA UM POUCO MAIS
E, NESTE REMELEXO
ENCONTREI VOCÊ
REPLETO DISTO TUDO
FINALMENTE EXCLAMANDO
MAIS PARA DENTRO DO QUE PARA FORA,
MEIO SEM JEITO
COM RECEIO NÃO SEI DE QUE,
COMO SE QUISESSE GUARDAR
OU MANTER ESCONDIDO
DUAS PALAVRAS MÁGICAS:
“TE AMO”!
ESTA MÁGICA
QUE ME TOCA
SEM TRUQUES,
FAZ MEU CORAÇÃO GRITAR
SEM QUERER GUARDAR
O QUE PRECISA COMPARTILHAR:
“QUE FELICIDADE!”


INGREDIENTES



Todos que você tiver acessível nas prateleiras de sua vida e que mais combinarem com o seu desejo e paladar no momento. Não tente e nem deseje preparar este prato com ingredientes acessíveis nas prateleiras de uma vida que não seja a sua. Aquilo que ainda não lhe foi dado pela vida poderá lhe causar intoxicação. Assim como nosso corpo, nem tudo nossa alma está preparada para digerir.


PREPARO



Acho que não existe alguém neste mundo que nunca tenha provado um mexido, um mexidinho ou um mexidão. Mexido pode ser uma mistura pequena, média ou grande. O sabor deste prato dependerá muito mais da forma como você irá prepará-lo e saboreá-lo do que dos ingredientes a serem utilizados. Se você possui a consciência de que poderia utilizar dez ingredientes, mas só possui cinco, não desista de preparar o mexido da felicidade em função desta limitação. Preparando-o com amor e estando atento a degustar com prazer o sabor de cada ingrediente utilizado, o seu mexido ficará, sem dúvida, uma delícia!
Satisfaça com aquilo que possui e lembre-se que, em cada momento de sua vida, os ingredientes acessíveis serão certamente diferentes. Daí, ao longo de sua jornada por este mundo, você terá oportunidade de preparar vários mexidos diferenciados. No final das contas, nunca saberá ao certo qual deles ficou mais gostoso, no entanto, jamais esquecerá que, além de deliciosos, mataram a sua fome.
Um alerta! Se não der para preparar um mexidão, contente-se com um mexidinho e bom apetite!


SOBREMESA


MEXIDO DE FELICIDADE


Em algum lugar que não sei bem onde, morava uma bruxa misteriosa e bondosa que trazia consigo a receita da felicidade. No nosso mundo, sempre ouvi muitas pessoas dizerem que a felicidade não existe, que o que existe são apenas momentos felizes. Esta maneira de pensar sempre me deixou confusa pois, na verdade, nunca consegui sentir a felicidade como um momento, sempre a senti muito forte vibrando dentro de mim. Foi assim que resolvi consultar a minha intuição para que ela pudesse me levar até a tão famosa bruxa que, com certeza, me ofertaria a tão desejada receita da felicidade. De posse dela, eu a eternizaria dentro de mim, sem deixá-la jamais correr o risco de se tornar um momento fugaz.
Fui atrás da tal bruxa. Para encontrá-la tive que escalar a dura realidade e adentrar em meus sonhos e fantasias. Sem saber como, me vi repentinamente defronte de uma mulher que não tinha cara de bruxa; tinha cara de criança, corpo de adolescente, jeito de adulto e sabedoria de quem já viveu muito. Com uma colher minúscula, ela mexia uma porção invisível dentro de um minúsculo tacho de cobre. Inspirava com prazer o aroma de seu preparado e experimentando-o, deleitava-se dizendo:
— Que delícia!
A expressão de felicidade que aparecia em seu rosto desencadeou em mim um enorme desejo de provar também a sua porção mágica, apesar de não conseguir enxergar nada dentro daquele tacho. Antes que eu lhe pedisse um pouquinho de seu preparado ou fizesse qualquer pergunta ou apresentação referente à minha pessoa, ela procurou certificar-se da minha presença afirmando com toda certeza:
— Aposto que veio à procura da receita da felicidade.
— Como sabes que vim aqui para isto? - perguntei.
— A sua expressão revela busca e revela dúvida também. Está confusa com alguma coisa?
— Achei o seu tacho pequeno demais para caber um sentimento tão grandioso quanto a felicidade. O mais intrigante é que não consigo ver nada dentro dele e você se delicia com algo que não consigo ver e sentir.
— A felicidade cabe em qualquer lugar, ela não tem tamanho. O seu cheiro e sabor escapa aos sentidos daqueles que não a prepararam. Sendo assim, a minha poção da felicidade só pode ser sentida por mim - afirmou convicta.
— Interessante! Como posso preparar a minha poção? - perguntei exalando curiosidade.
— Tem certeza que deseja ser feliz? – perguntou-me.
— É claro!  - respondi — Há alguém neste mundo que não deseja?
— Há pessoas que desejam apenas a alegria.
— Alegria e felicidade não seriam a mesma coisa?
— Alegria é só um ingrediente da felicidade. Felicidade é um preparado muito simples, porém complexo. Nem todo mundo está disposto a prepará-la. Muitos acham mais fácil comprar nos hipermercados da vida uma substância apetitosa já pronta, ao invés de se dar ao trabalho de preparar algo que leva vários ingredientes.
— Quais os ingredientes necessários para preparar a poção da felicidade?
— Adivinhe! – exclamou a bruxa.
— A única certeza que tenho é que não há espaço para a tristeza neste preparado. – falei convicta.
— Engano seu. Até mesmo da tristeza é possível se retirar um extrato para a felicidade.
Fiquei ainda mais confusa. Tristeza nunca combinou com felicidade em minha filosofia de vida e, naquele momento, aquele ser misterioso  afirmava que ela também poderia contribuir para com a poção do sentimento mais requisitado pelos homens. Vendo a minha expressão de perplexidade, a bruxa continuou:
— Nesta busca por um sentimento tão nobre quanto a felicidade, talvez fosse mais sensato deparar-se com uma fada e, no entanto, você deparou com uma bruxa. Às vezes, achamos que a tristeza nos apresentará a infelicidade e ela muitas vezes vem nos preparar para saborear a felicidade que nos aguarda. Outras vezes, achamos que a alegria é a base da felicidade e ela acaba nos jogando no terreno da infelicidade. Parece um paradoxo viver, mas na verdade o que realmente acontece é que não conhecemos bem a essência dos sentimentos. Todo sentimento tem um tempero. É necessário sabermos usar a dose certa que agrade o paladar ou tirar dele a essência capaz de dar sabor agradável à vida.
— Quer dizer que posso estar triste e estar feliz ao mesmo tempo? Perguntei.
— Não. Você pode estar triste e SER feliz. Estar é diferente de ser. A felicidade não é um estado, mas sim, uma estrutura, ou melhor dizendo, uma construção. Eu diria que ninguém está feliz, uma pessoa é feliz ou não dependendo da obra que realizou em sua própria vida.
— Então, não sou alegre. Eu estou alegre. Nossa, como é difícil diferenciar a alegria da felicidade.
— Sabe por que? – perguntou-me a bruxa rindo.
— Por que?
— Se eu lhe contar uma lenda sobre as travessuras de alguns sentimentos arteiros, você vai entender.
— Conte-me que já estou ficando curiosa.  – solicitei.
— Dizem que o criador realizou uma festa de fantasia onde todos os sentimentos foram convidados. Ninguém soube explicar o por que desta festa, soube-se apenas do resultado dela. Relatam que a alegria foi fantasiada de felicidade, a paixão de amor, a preocupação de interesse, a rebeldia de liberdade, a indiferença de paz e por aí vai. Eles ficaram tão parecidos com estes sentimentos que ficava difícil identificar quem era um e outro. O pior é que eles gostaram tanto de viver a fantasia de ser um sentimento mais nobre que até hoje vivem pregando peças nos mais desavisados.
— Acho que estes sentimentos já me pregaram muitas peças. Daqui para frente tenho que ficar mais vigilante. Mas quero ficar mais atenta à receita da felicidade. É possível você me ensina-la agora?  - perguntei.
— Você veio atrás de uma receita como todos que conseguiram chegar até aqui. Só que daqui você não sairá com receita alguma, mas lhe darei algo mais precioso do que esta receita que você julga existir.
— O que? – perguntei curiosa.
— Lhe darei o tacho para que você prepare a sua própria poção de felicidade.
A bruxa foi até a despensa e saiu de lá com um lindo tacho de cobre na mão. Entregou-o a mim, ordenando-me:
— Não me pergunte mais nada. Vá embora e prepare a sua poção com os ingredientes que desejar. Nunca se importe se alguém lhe disser que algum tempero é picante, azedo, amargo, doce ou salgado. O que importa é a combinação e o sabor final que ele dará ao seu paladar.
Não pude perguntar mais nada, pois sem que eu percebesse já estava de volta. Talvez você esteja se perguntando: De volta para onde? Voltei para este mundo onde as pessoas julgam a felicidade apenas como um momento fugaz. Assim que cheguei, parei para pensar como prepararia este alimento tão importante e cheguei a conclusão que já o ando preparando desde criança, pois olhei para o meu tacho e vi dentro dele um delicioso mexidão. Não sei se você o enxergaria ou sentiria o delicioso sabor dele. Só sei que meu mexido além de simples me alimenta e sempre me dá água na boca.
— Que delícia!