quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ENERGIA DIVINA


 

SE EXISTE UMA PERGUNTA SEM RESPOSTA, ESTA PERGUNTA É CERTAMENTE:

— QUEM É DEUS?

QUEM EXIGE UMA RESPOSTA TORNAR-SE-A UM CÉTICO OU UM FANÁTICO

 

 
ENERGIA DIVINA


Trata-se de uma bebida de imenso valor energético. Ela é suave, não causa embriaguez e nem ressacas morais. Quem dela saborear encontrará forças para superar todos os obstáculos que a vida nos impõe. É importante tomar cuidado, pois existem várias falsificações no mercado cujo agente tóxico denominado fanatismo é capaz de deixar não só um indivíduo, mas também grandes massas de pessoas totalmente embriagadas, dopadas e com ressaca.

 

CUSTO



         Por se tratar de uma bebida que deverá ser preparada e enriquecida naturalmente pelo próprio indivíduo e por, concomitantemente, haver poderosos interesses de mercado no sentido de se apoderar da fórmula da mesma e de traficar falsificações, o preço que se paga ao preparar a própria bebida é o de competir com um comércio sujo que fará de tudo para destruir a sua imagem. Por ser mais fraco em termos de valor de mercado, você corre o risco de ser rotulado de herege. No entanto, por ser mais forte em termos de dignidade, você com certeza descobrirá que vale à pena pagar o preço.

 

TIRA GOSTO

 


DIVINA LUZ

 


ÉS A MINHA FONTE INSPIRADORA

ÉS A MINHA VERDADE MUTÁVEL

MUTÁVEL COMO A VIDA

MUTÁVEL COMO O UNIVERSO

MUTÁVEL COMO SI MESMO

 

ÉS A FORÇA QUE ME DETERMINA

ÉS A ENERGIA QUE ME IMPULSIONA

IMPULSIONA A REFLETIR

IMPULSIONA A QUESTIONAR

IMPULSIONA A AGIR

 


ÉS

SEM PRECISAR SER

SER SOBRENATURAL

SER SOBERANO

SER DIVINO

 

ÉS POR TODOS

ÉS POR TUDO

TUDO QUE EXISTIU

TUDO QUE EXISTE

TUDO QUE EXISTIRÁ

 

ÉS PRESENÇA

PASSADA

PRESENTE

FUTURA

ONIPRESENÇA

 

ÉS REPLETO

ÉS VAGO DEMAIS

DEMASIADAMENTE COMPLETO

ININTELIGÍVEL

À NOSSA VAGA INTELIGÊNCIA

 

ÉS PALAVRA

ÉS A FALTA DELA

SEM SIGNIFICADO

PORÉM SIGNIFICATIVO

EXPRESSIVAMENTE ACEPTIVO

 

ÉS SIMPLESMENTE

ÉS DEFINITIVAMENTE

DEFINITIVAMENTE SEM CONCEITO

DEFINITIVAMENTE SEM EXPLICAÇÃO

DEFINITIVAMENTE SEM SENTIDO

 

SEM SENTIDO

ÉS APENAS SENTIDO

O QUE FAZ SENTIDO

MUITO SENTIDO

SENTINDO

 

INGREDIENTES

 


Só fé e nada mais.

 


PREPARO
 

         Para preparar esta bebida você terá primeiro que colher a fruta preciosa da mesma. Esta fruta se encontra no quintal da vida. Caso você pense não possuir este quintal é porque está de certa forma morto. Sendo assim, será preciso ressuscitar, pois a vida é um quintal com infinitas árvores. Se estiver morto, tente descobrir quem lhe assassinou. Muitas pessoas são mortas ao ingerir crenças, dogmas, enfim por uma infinidade de valores, padrões doentios que servem muito mais ao outro do que a si mesmo. Ao descobrir seu assassino, mande-o para o inferno que o habita e apodere-se finalmente de seu paraíso. Ao entrar em seu paraíso, você descobrirá que ele não é nada mais, nada menos do que a sua própria vida. Neste momento você se lembrará de que todas as vezes que viveu o inferno foi por ter delegado sua própria vida a pessoas manipuladoras que julgavam poder direcioná-la ao seu bel prazer.

         Neste paraíso que eu chamo de quintal da vida existe bem na entrada uma árvore frondosa com os frutos da fé. Basta saboreá-los para que você possa encontrar em seguida a árvore cujo suco contém a tão valiosa energia divina, pois o sumo da fé é que lhe direcionará exatamente ao local onde você precisa estar. O mais interessante é que não existe uma regra rígida. O fruto que contém a energia divina pode estar em qualquer árvore e em qualquer lugar. Tudo vai depender muito do seu momento presente; da sua abertura e da sua necessidade atual. Assim que encontrar o fruto com a energia divina, esprema todo caldo que tiver dentro dele fazendo uma bebida bem apetitosa capaz de estimular todos os seus sentidos e sensações. Deleite-se com este inesquecível prazer sem jamais abrir mão da energia que sentirá fluir dentro de seu ser, agora mais forte e pleno.



SOBREMESA

 
 

O LAMPIÃO MÁGICO



          Era uma vez um certo lugar aonde as pessoas chegavam e ganhavam de presente um lindo lampião mágico. Dentro dele vivia uma luz capaz de iluminar todos os caminhos que levavam à felicidade. Tamanho era o poder deste lampião que muitos  chegavam a acreditar que Deus morava dentro dele, no entanto, havia também os que duvidavam simplesmente por alimentar a crença de que Deus habitava um paraíso muito distante onde poucos poderiam chegar. Aquelas pessoas que acreditavam na presença de Deus no lampião tratavam de cuidar bem do mesmo e manter a luz sempre acesa.  Encaravam-no como uma bússola da felicidade e tratavam de explorar todos os caminhos e direções que a vida lhes oferecia sempre com o lampião à mão. Aquelas que acreditavam na presença de Deus no paraíso, passavam uma vida inteira fazendo promessas, reparando culpas, trabalhando pelo futuro na esperança de um dia poderem desfrutar de um prazer que jamais se permitiam desfrutar no presente. Estas pessoas menosprezavam o seu lampião a ponto de deixa-lo largado em um canto qualquer deste mundo, pois o único mundo que lhes interessava estava sempre muito além.

O tempo, companheiro de todos, sempre vai passando devagarzinho sem que ninguém perceba. Andando sem fazer rumor e com muita sutileza, promove em algum momento o inesperado e surpreendente encontro com a eternidade. Diante de tal surpresa, muitas pessoas se sentem traídas pelo mesmo, inaugurando um conflito que as impedem abraçar a eternidade neste inesquecível encontro que pode ser triste ou alegre dependendo da descoberta que cada um faz. E foi assim aconteceu uma interessante conversa em algum lugar e em algum momento.

— Quem é você? Perguntou um homem.

— Eu sou a Eternidade.

— O que estou fazendo aqui?

— Você é quem deveria saber! Respondeu Eternidade.

— Por que eu é que tenho que saber o que estou fazendo aqui? Perguntou com ar petulante o recém chegado daquele lugar novo e desconhecido.

— Porque é você quem está aqui agora! Afirmou Eternidade.

— Onde estou?

— Você está aqui! Respondeu cheia de convicção a desconhecida Eternidade.

— É claro que estou aqui. Quero saber que lugar é este. Falou impacientemente o homem.

— Este lugar é o lugar que ocupa agora! Respondeu com serenidade a voz da Eternidade.

— Mas o que é que posso fazer neste lugar?

— O que você quiser!

— Mas eu não quero fazer nada! Respondeu o homem com muita raiva.

— Então não faça nada! Aconselhou Eternidade.

— Eu quero que me digam o que devo fazer!

— Então diga a si mesmo o que acha que deva fazer!

— Eu não sei o devo fazer e não estou acostumado a dizer nada a mim mesmo. Sei apenas dizer ao outro o que fazer. Sendo assim, me diga agora o que devo fazer! Ordenou com firmeza aquele novato homem que começava a se enfurecer com as vagas respostas da Eternidade.

— Epa, mais um! Provavelmente você não saiba o que queira fazer por nunca ter feito o que realmente quis – Pontuou Eternidade querendo esclarecer algo que lhe parecia bem comum de acontecer ali.

— E o que eu realmente quis e não fiz? Perguntou com sarcasmo o homem

— Isso só você sabe.

— Pois saiba que sempre quis dar ordens e sempre fiz isto muito bem.

— Talvez precise agora dar ordens a si mesmo. Ponderou Eternidade com sabedoria.

— Eu nunca fiz isto e nem pensei nunca nisto... Divagou pensativo o homem arrogante.

— Em que você pensava?

— Eu pensava fazer aquilo que aprendi ser correto fazer.

— O que é correto? Perguntou Eternidade com ar de questionamento.

— Correto é tudo aquilo que vem de Deus.

— Então você sabe que deva fazer aquilo que vem de Deus! Esclareceu Eternidade tentando ajudá-lo.

— Sei.

— E por que não faz? Questionou Eternidade.

— Sei que o correto é fazer o que vem de Deus, mas não sei o que fazer agora. Falou decepcionado aquele homem que se julgava tão certo de si.

— Talvez você não saiba o que vem de Deus. Inferiu Eternidade.

— Eu sei sim! O que vem de Deus é tudo que me falaram, é tudo que escutei a minha vida inteira.

— Então faça o que lhe falaram! Recomendou Eternidade.

— O que me falaram não faz mais sentido aqui neste lugar.

— Mas, por que perdeu o sentido logo agora?

— Porque eu não tenho o que fazer aqui para garantir meu lugar no paraíso. Respondeu o homem cheio de desilusão.

— Onde é o paraíso? Perguntou Eternidade

— É o lugar onde Deus mora.

— Onde Deus mora?  Voltou a perguntar tentando questiona-lo.

— Em algum lugar. Respondeu confuso.

— Mas, algum lugar é um lugar que não existe! Advertiu Eternidade.

— Como assim?  Perguntou o homem com uma expressão confusa.

— Ninguém pode ocupar algum lugar. Todos nós só ocupamos o lugar que estamos nele no momento. E é neste lugar que devemos construir o nosso paraíso. Orientou Eternidade àquela alma tão desavisada.

— Para que construir um paraíso se eu posso usufruir o paraíso de Deus? Ironizou o homem.

— Você já usufruiu em algum momento do paraíso de Deus? Retorquiu Eternidade.

— Não, mas me certificaram a vida inteira de que algum dia isto seria possível.

— Mas, algum dia é também um dia que não existe! Voltou adverti-lo aquela presença tão questionadora.

— Que dia existe então?  Perguntou o homem com um tom desafiador.

— Existe o agora para sempre. Respondeu Eternidade com toda segurança tentando clarear as ideias confusas daquele homem.

— Acho que estou começando a entender... Você está tentando me dizer que não existe algum lugar paradisíaco que eu possa viver algum dia?

— É isto mesmo. Viver é estar presente, o resto é pura fantasia.

— Quem me garante que você é portadora da verdade divina? A verdade que ouvi é totalmente diferente de tudo isto que você me diz agora e eu prefiro continuar acreditando naquilo que eu ouvi. A verdade de Deus é suprema. Contrapôs o homem desconfiado.

— Então continue acreditando naquilo que ouviu. Se isto lhe deixa mais seguro...

— Mas o problema é que não me sinto mais seguro. Desabafou o homem.

— Sinto muito por você pelo fato da verdade divina não ter tido o poder de lhe trazer segurança. Ressentiu Eternidade.

— Mas eles sempre me garantiram que tudo aquilo que eu ouvia me traria a segurança que todo ser humano busca.

— O que você ouviu foi dito por quem? Perguntou a voz Eterna.

— Por eles, ou seja, por inúmeras pessoas que cruzaram o meu caminho dizendo saber qual o caminho certo e garantido da vida.

— Então você não ouviu de Deus? Indignou-se Eternidade.

— Eu ouvi através deles o que Deus falava. Justificou o homem.

— Por que Deus só disse a eles e nunca a você?

— Eu é quem vou saber?

— Quem mais poderia? Censurou Eternidade.

— Só Deus. Respondeu o homem.

— Então pergunte pela primeira vez a Deus alguma coisa!

— O que eu devo perguntar?

— Tudo aquilo que deseja saber. Respondeu Eternidade

—E o que é importante saber? 

— É importante saber o que é importante para você.

— Mas eu não sei o que é importante para mim.

— Você não sabe o que é importante para você? Fitou-o perplexa aquela voz tão questionadora.

— Eu sei o que é importante para os outros. Aprendi através do outro o que era importante para mim e aprendi também a dizer a eles o que supostamente era importante para eles.

— Aqui não existe mais este outro que você tanto fala.

— E o que existe aqui?

— Existe o que você consegue enxergar e sentir.

— Eu não consigo enxergar e sentir nada. Falou o homem cheio de desânimo.

— Este nada é o que você conseguiu alcançar. Esclareceu com firmeza a voz da Eternidade.

— Não! Você está totalmente enganada! Eu consegui alcançar muitas coisas. Eu sou um homem vitorioso. Tenho títulos, bens, dinheiro, uma família, amigos e muito mais.

— Me mostre tudo isto que alcançou. Desafiou Eternidade.

— Eu não tenho como lhe mostrar isto agora. Ressentiu o homem.

— Se isto lhe pertencesse você deveria ter como me mostrar.

— Não sei como explicar, mas tudo ficou perdido em algum lugar.

— Onde? Perguntou Eternidade

— Sei lá. Talvez alguém tenha me roubado tudo isto.

— Quem faria isto?

— Você. Só pode ser você! Foi só me deparar com você e tudo perdeu o sentido. Quem é você?

— Eu já lhe disse, sou a Eternidade.

— Eternidade é um tempo que não existe. Expressou com escárnio tentando desqualificar Eternidade.

— Qual tempo existe mesmo? Perguntou Eternidade querendo checar o poder de assimilação daquele homem.

— Você acabou de me dizer que o agora é o único tempo que realmente existe, já que o passado passou e o futuro não chegou ainda. No entanto, tenho que admitir a minha dificuldade para entender isto na prática.

— Mas agora poderá entender perfeitamente,  pois  este  agora se eternizou para você.

— Eu não sei viver este agora. Sempre desprezei este momento.  Eu quero meu passado e um futuro brilhante para mim.

— Foi o que você sempre fez e o que não dá para fazer agora. — Ponderou Eternidade.

— E o que dá para fazer agora? Perguntou o homem cheio de curiosidade.

— Dá para fazer o que tiver vontade!

— Eu tenho vontade de viver o meu passado e o meu futuro. Afirmou o homem num tom de exigência.

— Eu já lhe disse que estes tempos não existem aqui.

— Eu não quero viver agora! Berrou o homem.

— Então, morra! Retrucou Eternidade.

— Eu não quero morrer.

— Deverá morrer para trazer de volta o que deseja.

— A morte trará de volta a vida? Perguntou o homem inundando-se de esperança.

— Não, pois não é bem a vida o que você deseja. A morte lhe trará de volta o que lhe matou em vida. Esclareceu Eternidade. É isto que deseja?

— Eu prefiro a morte a esta vida aqui.

— Então você optará pela morte e renegará novamente a vida?  Perguntou perplexa Eternidade.

— Mas eu nunca neguei a vida! Afirmou o homem.

— Como já lhe disse, vida só acontece no presente, o restante são lembranças ou fantasias. Você negou o seu presente deixando-o jogado em um canto qualquer do mundo.

— Que presente é este?

— Aquele que Deus oferece a todos. O seu lampião mágico. Elucidou Eternidade.

— Para que serve um lampião?

— Para iluminar o seu caminho.

— Eu não preciso de um lampião para iluminar o meu caminho, ele sempre foi muito claro.

— Engano seu. Você abandonou o seu lampião e a escuridão fez com que buscasse a segurança trilhando o caminho do outro. É preciso que encontre o seu lampião para conquistar finalmente a clareza que lhe falta agora.

Inesperadamente, foram interrompidos por um jovem que se aproximou carregando com reverência um lindo lampião. Com um ar de felicidade e prazer falou exultante:

— São tantas as belezas e os prazeres deste lugar! Mais um paraíso!

— Mais um paraíso? Interrogou-lhe surpreso o homem.

— Mais um paraíso dentre os muitos que já passei. Completou o jovem dono do lampião.

— O que você vai conseguir fazer aqui?

— Eu já estou fazendo tudo que tenho vontade.

— Você não se considera um egoísta fazendo tudo que possui vontade?

— Egoísta, como assim? Perguntou o jovem.

— Como fica os outros com você fazendo apenas as coisas que tem vontade?

— Os outros também podem fazer aquilo que possuem vontade. Afirmou o dono do lampião.

— E o que você tem vontade? Perguntou o homem.

— Tenho vontade de ser o que realmente sou.

— O que você é?

— Sou aquilo que descubro a cada momento.                         

— E o que você descobriu de você até agora? Perguntou o homem cheio de indignação.

— O grande prazer de me conhecer.

— E os desprazeres?

— Os desprazeres acontecem principalmente quando descuidamos do nosso lampião a ponto da nossa luz apagar nos obrigando a seguir a trilha do outro. Explicou o jovem.

— Isso já aconteceu contigo? Perguntou curioso identificando-se com a situação exposta pelo jovem.

— Algumas vezes.

— E o que você fez para encontrar seu lampião de novo?

— Tive que aceitar andar por algum tempo no escuro, mas levando comigo a clara meta de buscar a luz. Respondeu o jovem externando humildade.

— E como se faz isto?

— Tendo a coragem como parceira nesta busca.

— E onde podemos encontrar a coragem? Perguntou o homem.

— Apenas diante do medo.

— Você já teve medo?

—Algumas vezes.

—Pois eu nunca tive. Vangloriou-se o homem tentando, inutilmente, se sobressair sobre o jovem.

— Pois eu tive medo, enfrentei e conquistei a coragem que me permitiu encontrar meu lampião todas as vezes que o perdi.

— Quando é que se tem medo? Perguntou o homem temeroso pela resposta.

— Diante do desconhecido.

— E o que é o desconhecido?

— Talvez seja aquilo que lhe faltou conhecer.

— E o que me faltou conhecer? Perguntou o homem com ar irônico.

— Aquela presença discursada por muitos, mas praticada e vivida por poucos. Conjeturou o dono do lampião.

— Que presença?

— A presença de Deus dentro de si e não somente fora.

— Mas como você pode dizer isto?

— Digo isto porque vejo você sem o seu lampião. Finalizou o jovem.

Antes que a conversa pudesse ter continuidade, Eternidade solicitou que cada um retomasse  o seu caminho. Só Deus sabe o caminho que cada um deles tomou.

domingo, 26 de agosto de 2012

TRANSCENDÊNCIA



O ALÉM É O PRÓXIMO E SÁBIO PASSO PARA QUEM ALCANÇOU SEUS LIMITES OU DEPAROU-SE COM O TRISTE E LAMENTÁVEL FIM”




TRANSCENDÊNCIA



        Trata-se de um coquetel capaz de ascender a sua visão de mundo e da própria vida, fazendo-o enxergar além daquilo que usualmente está habituado a enxergar. Ampliando sua visão, você passará a perceber e sentir o novo, adentrando-se no além de tudo aquilo que já está cansado de viver e podendo, finalmente, alcançar a iluminação que lhe fará sentir eternamente vivo.



CUSTO

       

        Se paga o preço da cura da miopia que não lhe permitia enxergar o que parecia distante, mas que na verdade estava bem próximo querendo se exercer. Com isso, perde-se o álibi de fingir-se cego para facilitar e justificar aquilo que não deseja ver e viver.



TIRA GOSTO


ALÉM


QUIS SER UM POUCO MAIS DO QUE EU
TRANSFORMEI-ME NAQUILO QUE SEREI
MESMO ANTES DE SER
DOU-ME CONTA QUE SOU


SOU O VERBO
CONJUGADO EM TODOS OS TEMPOS
VERBO TRANSCENDER
QUE ME PERMITIU SER ANTES

ME VEJO ESCRITORA
ANTES DE SÊ-LA
E ASSIM CONSTRUO MEU LIVRO
PARA ABRIGAR A IDÉIA DE SÊ-LA


CRESCE A IDÉIA
CRESCE A POSSIBILIDADE
DE TRANSCENDER MEU PRESENTE
PRESENTEANDO-O COM O LIVRO DO FUTURO


NÃO PUS O PÉ NO FUTURO
TROUXE-O PARA O PRESENTE
FIZ O PRESENTE SE TRANSFORMAR
EM ALGO MAIS QUE ELE MESMO


NO LIVRO DO FUTURO
ESTÁ ESCRITO
VIVA SEU PRESENTE
MAS, TRANSCENDA-O


TRANSCENDER
CULTIVAR POSSIBILIDADES
O PRESENTE FICA MAIS PRESENTE
COM A POSSE DE NOVAS HABILIDADES


HABILIDADE DE IR ALÉM
ALÉM DO PASSADO, PRESENTE, FUTURO
CRIAR UM TEMPO A MAIS
SÓ PARA VOCÊ


HABILIDADE DE SER ALÉM
ALÉM DA FORMA PERFEITA E IMPERFEITA
CRIAR UMA FORMA
QUE SEJA SÓ SUA


HABILIDADE DE TER
ALÉM DE TUDO
CRIAR O NADA
NADA QUE LHE LIMITE


INGREDIENTES

                                                                                                            
Ilimitado desejo de ir além
Doses caprichadas de plenitude


PREPARO

       

Da mesma forma que se bate em um liquidificador os ingredientes de um coquetel de frutas, você deverá deixar que o seu coração bata bem forte todo o desejo que existe dentro de seu ser de ultrapassar todos os limites que a vida lhe impõe. Acrescente algumas doses de plenitude impedindo que seu coquetel coalhe. Se o seu coração não tiver força para bater todos os seus desejos, é melhor não tentar fazer este coquetel, pois o máximo que conseguirá preparar será um suco bem ralo com sabor de limites, adocicado com uma dose bem grande de frustração.
O coquetel da transcendência deverá ser tomado em taça de cristal para apurar ainda mais o sabor de ultrapassar os limites e não em copo de plástico como os habituais refrescos cujos frustrantes sabores se situam sempre aquém daquilo que desejamos no nosso mais íntimo ser.
O efeito do coquetel poderá lhe gerar temporariamente uma sensação de insegurança gerada pela perda de controle daquilo que precisa se exercer. Não se preocupe, pois nenhum mal poderá lhe acontecer. Pelo contrário, você estará conquistando a grande capacidade de se exercer sem controle.
Um brinde à sua infinita capacidade de SER e se “exerSER”.



SOBREMESA



A MISSÃO DA VELA


 Vou contar a história de uma vela de sete dias. Vivia junto com as outras velas sem saber ao certo a sua função. Fria e apagada, parecia mais a morte do que a vida. Vela para sentir-se viva precisa de luz. Sem luz, sentia-se triste, feia e inútil.
Certo dia sentiu uma mão trêmula a tocá-la. Observou bem e viu-se diante de uma mulher a chorar. Suas lágrimas  escorriam pelo rosto consumindo toda a expressão de felicidade e beleza que possuía. A vela enxergou no fundo dos olhos daquela mulher o desespero. Viu a última chama de vida de alguém se consumindo e percebeu que poderia ser uma chama de esperança para aquele frágil ser que ajoelhado rogava para a chama divina uma luz que pudesse iluminar as trevas de sua alma. A vela foi acesa pela tão apagada alma e passou a ter, partir daquele momento, a sublime e nobre missão de representar a esperança e a luz. No entanto, não sabia ainda as implicações desta missão para a sua própria vida. Sete dias foram suficientes para que pudesse aprender muita coisa.
No primeiro dia ficou fascinada com a sua luz. Sentia-se viva e irradiante. Perguntou a Deus porque se sentia tão bela e ele respondeu:
— Belo é aquele que vive e aprecia a sua luz.
Entendeu assim que não há razões para a beleza, ela está presente em tudo ou poderá não estar presente em nada. É necessário ter olhos iluminados para adquirir a capacidade de enxergá-la.
No segundo dia sentiu-se aquecida. Derretia-se de felicidade ao perceber que além de luz irradiava calor. Perguntou a Deus porque se sentia tão feliz e ele respondeu:
 — Você é feliz porque liquidou toda frieza que existia em si.
         Sentiu-se orgulhosa de ter conquistado a capacidade de ultrapassar a frieza que habitava o seu ser, no entanto, não sabia ao certo como foi adquirindo esta capacidade. Começou a ficar mais atenta a tudo que acontecia ao seu redor, percebendo no 3º dia uma pequena diferença. Começou a sentir-se pequena, bem menor do que era antes da sua primeira chama ser acesa. Perguntou a Deus porque se sentia assim e ele respondeu:
 — Você é pequena quando não consegue enxergar dentro de si. As aparências enganam!
         Nunca ninguém lhe havia ensinado a enxergar dentro dela mesma. Como haveria de aprender isto?  Quem haveria de ensiná-la? Sabia que se continuasse a olhar apenas para fora, haveria de chorar muito. Seria consumida por suas lágrimas, pela sua tristeza. Precisava arranjar uma saída, não queria acabar assim. Lembrou-se da sua missão. Percebeu que sua missão era o seu trabalho e que o mesmo poderia desviar a sua atenção para algo que valesse à pena e não gerasse tanto sofrimento. Concentrar a sua atenção na sua pequenez era optar pela miserabilidade. Determinada, optou por transformar as lágrimas em suor. O trabalho de construir uma esperança a fazia suar, suar, suar... Seu suor escorria fartamente pelo seu corpo quando, no 4º dia, fez uma nova pergunta  a Deus numa tentativa de avaliar o seu labor:
— De que vale o meu suor?
Imediatamente, Deus lhe respondeu:
 — Seu suor vale a esperança que constrói a tranquilidade e o sossego para uma alma aflita.
         Sentindo que seu suor valia à pena, continuou o seu trabalho. O tempo ia passando e o corpo daquela vela já não era o mesmo. Apesar de sua chama continuar forte, seu corpo foi ficando cada vez mais frágil e pequeno. Já no 5º dia foi tomada por uma inquietante consciência de que sua própria chama consumia seu corpo. Teve vontade de apagá-la. Talvez assim continuasse viva. Por medo da morte, pensou que certamente fosse mais seguro manter-se apagada. Suplicou a Deus que lhe desse um sopro. Confuso, Deus perguntou-lhe:
— De que lhe valeria meu sopro?
— O seu sopro me protegeria da morte. Apagada, eu não seria mais consumida pela minha chama. Respondeu confusa, aquela velinha, querendo se apegar a algo que lhe desse segurança. Tentando clarear as ideias da mesma, Deus salientou com sabedoria:
— Apagado está aquilo que já se encontra morto. Será que não percebe que sua luz é a sua vida?
— Mas, a minha luz não é eterna, ela se apagará assim que meu corpo definhar. Completou a velinha repleta de ansiedade e angústia.
— Você está sendo totalmente contraditória. Se tem medo de sua luz se apagar, porque suplica pelo meu sopro?  Questionou a voz divina.
— Porque apagando-a, eu teria condição de salvar pelo menos alguma coisa . Justificou a vela.
— Que coisa você julgaria salvar? Perguntou novamente o ser divino.
— O meu corpo. Respondeu prontamente a vela.
—  Como já lhe disse, um corpo apagado é um corpo sem luz. Um corpo sem luz é um corpo morto. Sem luminosidade, ele não enxergaria jamais a beleza. Sem a chama do seu calor, não sentiria a irradiante felicidade que você experimentou. Não seria capaz nem mesmo de sofrer, chorar. Seria inerte, desconheceria o suor de seu trabalho. Você deseja o impossível. Não há como salvar um corpo morto. Sem luz, um corpo não tem vida.
— Então não há nada que eu possa fazer? Perguntou a velinha num tom de desilusão que fazia pena.
— Há ainda muito que fazer. Respondeu Deus, acendendo a esperança na desiludida vela.
— O que posso fazer?
— Aprender a aceitar o que é finito e o que é eterno. Respondeu o Divino
— Finito é meu corpo. O que seria eterno?  A minha luz é que não pode ser, pois ela se apagaria juntamente com meu corpo. Conjeturou a vela, tentando compreender conceitos tão complexos.
 Tentando oferecer para a vela uma definição que pudesse tranquilizá-la, a sabedoria divina tentou esclarecer:
— Eternidade é permanência.
— Continuo não entendendo nada. Explique-me isto melhor! Solicitou ansiosamente a velinha que diminuía de tamanho, tornando-se cada vez mais pequenina a cada minuto que passava.
—  Permaneça e verá. Finalizou com firmeza a voz divina.
O medo da vela era bem maior do que a tranquilidade que a sabedoria divina tentava transmitir-lhe. Pensar em mais um dia de vida fazia a sua chama tremer. Queria parar no tempo ou voltar, se fosse possível. Não sabia quanto tempo de vida teria, sabia apenas que iniciava o seu sexto dia de luz. Desesperada, chegou ao cúmulo de amaldiçoar a sua chama luminosa. Lembrou-se da irradiante beleza e alegria dos seus primeiros dias de luz. Agora estava ali, irradiando tristeza e se consumindo cada vez mais nela. Iniciou um choro compulsivo, que transformou seu corpo num emaranhado de lágrimas. Difícil era identificar os limites do corpo e das gotas segregadas pelo seu humor deprimido. Tudo parecia uma coisa só. Chorando, sem controle e impotente para reverter o inevitável, permaneceu ali quietinha, aguardando o seu fim.
Já quase se apagando, no seu 7º dia de vida, sentindo sua chama trepidando,
conquistou, enfim,  o poder de permanecer. Sem lágrimas e sem corpo, se apossou apenas de uma chama que se sustentava no vazio. Neste momento, vazia de súplicas e lamentações, permaneceu. Envolvida por um silêncio confortante, foi surpreendida, repentinamente, por uma enorme chama que, além de luz, emanava uma linda oração:
OBRIGADA, SENHOR, POR TER ME REVELADO O SENTIDO DA VIDA.
OBRIGADA POR UMA SIMPLES VELA TER SIDO CAPAZ DE EMANAR A LUZ NECESSÁRIA PARA A MINHA MAIS RECENTE DESCOBERTA.
A CHAMA DESTA VELA ETERNIZOU-SE, TRANSFORMANDO-SE EM SABEDORIA.
DESCOBRÍ QUE VIVER É PERMANECER ACESO.
DESCOBRÍ QUE MORTO ESTÁ AQUELE QUE APAGOU A SUA LUZ PARA ECONOMIZAR O QUE É FINITO.
DESCOBRÍ QUE O TÃO TEMIDO INEVITÁVEL É, NA VERDADE, UM MOMENTO DE TRANSFORMAÇÃO.
DESCOBRÍ NA MINHA TRANSFORMAÇÃO A MINHA PERMANÊNCIA.
DESCOBRÍ NA MINHA PERMANÊNCIA A MINHA ETERNIDADE.
DESCOBRÍ NA MINHA ETERNIDADE A TUA LUZ.
DESCOBRÍ NA TUA LUZ A MINHA TRANSCENDÊNCIA.
     Findou-se a oração e o medo da vela. Daquele dia em diante, ela nunca mais temeu sua chama.





















segunda-feira, 13 de agosto de 2012

RESPEITO




“O RESPEITO TRANSFORMA NOSSAS IMPERFEIÇÕES EM CRESCIMENTO; A AUSÊNCIA DELE, EM DESTRUIÇÃO"



RESPEITO


         Respeito é um alimento que lhe provoca a agradável sensação de dignidade revigorando ainda mais o seu ser com a fortalecedora credibilidade que possui por si mesmo e dos outros pela sua pessoa.



CUSTO




         O preço que se paga é a perda da arrogância e da prepotência que lhe faz, erroneamente, usar a munição da ofensa, do preconceito e da indiferença pensando ser melhor e mais digno do que o outro.





TIRA GOSTO



A DESPEITO DE TUDO



SE NÃO ME DIZ RESPEITO

NÃO HEI DE RESPIRAR O DESPEITO

ABRIGANDO EM MEU PEITO

A FALTA DE RESPEITO

DE QUEM PEITO NÃO TEM

PARA RESPEITAR

E A DESPEITO DE TUDO

AINDA HEI DE RESPEITAR

NO FUNDO DE MEU PEITO

O DESPEITADO QUE RESPEITO

NÃO APRENDEU A CULTIVAR





INGREDIENTES



Grãos da flexibilidade

Aquosa humildade

Suculenta empatia



PREPARO



        
Comida árabe é bem gostosa, e o quibe tem o seu lugar. Bem semelhante ao preparo do mesmo, o respeito tem também o seu lugar no cardápio da alma.

         Coloque o trigo de sua arrogância e de sua prepotência por bastante tempo na aquosa humildade. Este procedimento inicial dará origem a uma importante transformação. Os duros e rígidos grãos de prepotência e arrogância ficarão fofos e macios transformando-se em grãos de flexibilidade. Junte a estes novos e flexíveis grãos a suculenta empatia, amassando-os de maneira a formar os bolinhos do respeito.  Usando o tempero do amor, eles ficarão ainda mais apetitosos e saudáveis. O fogo do calor humano esquentará a oleosa consideração que, depois de aquecida, fritará os deliciosos bolinhos, deixando-os no ponto certo para serem saboreados.



SOBREMESA




O FRUTO DO AMOR



         O que ele mais desejava era ser respeitado. Dirigiu-se ao mestre mais uma vez para pedir orientações que lhe pudessem assegurar o direito ao respeito que sempre sonhou. Já desanimado, desabafou com o mesmo o seu desatino para com esta busca.

— Já tentei buscar o respeito de todas as formas e até hoje não o encontrei. Ao final de cada busca o que me resta sempre é um grande vazio. Afinal de contas, o que me falta?

— O que você possui? Perguntou o mestre.

— Tenho armas, dinheiro, fama e poder; tudo que um homem precisa para ser respeitado.  Respondeu o homem.

— Mas, o respeito não exige nada disto. Contrapôs o mestre — O que te fez pensar que estas coisas fariam de você um homem respeitado?

— Possuidor de muitas armas, pensei que jamais seria combatido pelo outro. As minhas chances de sair sempre vencedor numa situação de conflito aumentariam significativamente e poucos seriam aqueles que teriam condições de igualar a mim na força bruta. Mas, com todo este arsenal bélico, me sinto frágil e percebo que não obtive o respeito que tanto sonhei. Lamentou o homem.

— Desta forma, você conseguiu conquistar apenas o medo das pessoas. Medo e respeito são bem diferentes e acho que já conseguiu perceber isto. Fale-me agora das outras coisas que você adquiriu para conquistar o respeito. Solicitou o mestre lamentando a ignorância daquele homem.

— Eu adquiri muito dinheiro. Consegui comprar tudo que desejei. Até mesmo pessoas se venderam para mim. Só não consegui comprar o respeito destas pessoas.

— O máximo que você conseguiu conquistar foi o interesse delas pelo seu dinheiro e não pela sua pessoa. Elucidou o mestre.

— Isto nos dá um vazio enorme. Sentia-me vazio mesmo tendo tanta coisa e a sensação de abandono só ia crescendo dentro de mim. Mesmo quando adquiri fama e me via rodeado de pessoas, percebia que elas só queriam o meu lugar e nada mais.

— A fama só lhe garantiu a inveja dos outros. Saiba que a inveja não suporta o respeito; os dois jamais viverão em parceria. Garantiu o mestre.

         Por alguns minutos aquele homem chorou muito lamentando a sua triste condição. Ao invés de respeito, sentia-se humilhado e abandonado. Ainda em prantos continuou seu desabafo:

— O poder também me pertenceu. Pude mandar e criar indivíduos servis. Só não consegui ter poder sobre a minha pequenez e jamais consegui criar dentro de mim o homem que sempre sonhei. Se as armas, o dinheiro, a fama e o poder não me proporcionaram o respeito que tanto desejei, o que devo procurar agora? Implorou o homem, esperando uma resposta que pudesse servir de referência para sua vida.

         O mestre pensou e depois de um minuto de silêncio pronunciou-se:

— Procure primeiro o respeito que você perdeu por si mesmo.

— Você está querendo dizer que eu não me respeito? Perguntou o homem indignado.

— Se você nem sabe ainda o que é respeito, como poderia estar se respeitando? Indagou o mestre.

         Pensativo, o homem se limitou a observar o mestre como se estivesse tentando captar a essência de seu ser. Depois de algum tempo calado, admitiu os seus erros diante da vida.

— Acho que tem razão. Procurei o respeito da forma errada. O senhor é uma pessoa respeitável e respeitada por todos e, no entanto, não possui nenhuma arma, dinheiro e nem mesmo fama e poder. Como pode ter o respeito se não possui nada disto?

— A maior arma,  riqueza e poder que possuímos não habita os quartéis, os bancos, altos cargos ou estrelato. A nossa maior arma está presente num lugar muito próximo. Quem vai muito longe para encontra-la acaba se perdendo. Acho que você foi longe demais. Advertiu o mestre.

— Me explique melhor, pois não estou entendendo onde você está querendo chegar. Falou o confuso homem sem entender as colocações do mestre.

— Estou querendo chegar no seu coração. É lá que mora o amor. Somente aqueles que cultivam o amor são capazes de respeitar e serem respeitados. Afirmou o sábio.

— Mas eu sempre tive o amor dentro de mim e não consegui ser respeitado. Deve ter faltado algo mais. Questionou o homem externando ingenuidade em sua expressão.

— Não basta termos apenas a semente do amor. É necessário semearmos e cultivarmos esta semente no solo fértil de nossos corações. Precisamos assim, cuidar da terra e da semente com muito zelo. Orientou o mestre.

         Aqueles dizeres tocaram no fundo da alma daquele homem. Consternado, começou a refletir alto sobre suas ações.

— Acho que tudo que busquei para obter o respeito acabou fazendo com que meu coração ficasse árido demais. Num coração assim nenhuma semente jamais brotará. Deve ser por isso que me sinto deserto e abandonado.

         O sábio mestre pôde sentir, naquele momento, o sofrimento daquele homem. Respeitava a sua ignorância, mas sabia que esta o fazia sofrer. Torcendo para que ele a suplantasse, deu continuidade à sua fala:

— O amor é como uma planta. Quando brota vai crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. A flor que anuncia o fruto que virá é como a empatia na vida do ser humano; e o fruto que pode ser saboreado e colhido é o respeito que você tanto busca.

— Eu nunca consegui ser empático. Nunca me coloquei no lugar de ninguém para poder sentir o que o outro sentia e necessitava. Sempre me preocupei apenas em garantir uma posição onde as pessoas pudessem enxergar a mim e a tudo que me interessava. Admitiu envergonhado, aquele homem, sem poder modificar as suas condutas passadas.

— Agindo assim, mesmo que tivesse semeado o amor, a sua árvore jamais iria florir e muito menos dar o tão desejado fruto do respeito que você tanto deseja saborear.

— Mestre, te procurei tantas vezes antes de fazer esta importante descoberta. Por que o senhor não me passou este conhecimento há anos atrás, na primeira vez que lhe procurei? Censurou o homem, a suposta omissão do mestre.

— Não dá para saborear com prazer uma fruta ainda verde. Nas outras tantas vezes que me procurou, não estava maduro o suficiente para absorver estes conhecimentos. Você desejava, naquele momento, experimentar o fruto do dinheiro, da fama, do poder. Apenas não neguei a você o direito de experimenta-los. O sabor destes frutos não é tão bom quanto parece quando degustados de maneira compulsiva. Hoje, você pôde checar isto muito bem. Estou satisfeito com sua descoberta e espero que esteja também.

— Foram tantos anos de busca...Refletiu o homem. Acho que cultivei ervas daninhas.

         O mestre olhou no fundo de seus olhos e enxergou muita tristeza e decepção. Tentando semear um pouco de esperança naquela alma desiludida, finalizou seu discurso dizendo:

— Mesmo tendo cultivado ervas daninhas, nunca é tarde para elimina-las e cultivar uma linda plantação. Seja um bom lavrador e boa colheita!

domingo, 22 de julho de 2012

FLEXIBILIDADE




“NÃO HÁ QUEM GOSTE DE REPOUSAR SOBRE UM CORAÇÃO DURO”



FLEXIBILIDADE


É o alimento mais importante para quem deseja aprender a adaptar-se bem a novas situações. Retira a rigidez e as couraças acumuladas tanto no corpo físico quanto no corpo mental, emocional e espiritual do ser humano, tornando-o bem integrado e harmonizado consigo mesmo e com o outro.



CUSTO


         O preço que se paga é o de ser rotulado de instável, inseguro e não confiável para aqueles indivíduos que incapazes de rever seus pontos de vista, estabeleceram a rígida regra de que ter personalidade é ser totalmente imutável e previsível. No entanto, um investimento na flexibilidade lhe permitirá conquistar o sabor de poder ser amanhã aquilo que você não é hoje. “Que seja melhor!”.

         Saiba que para nascer o melhor de nós mesmos, é necessário que possamos rever e mudar o que estamos sendo hoje.


TIRA GOSTO



EM CURVA



JAMAIS SE CURVOU

DIANTE DA VIDA

TERMINOU CORCUNDA

TÃO ENCURVADO

CHEIRANDO O CHÃO



QUEM NÃO SE CURVA

ENCURVA

EM CURVAS

DA VIDA

CAPOTA



INGREDIENTES



O fluído da mudança

Paradigmas em pó

Doce humildade



PREPARO



         Se você souber preparar uma gelatina, não terá dificuldades no preparo deste agradável prato.

         Coloque na panela da vida o fluído da mudança. Leve-o ao fogoso desejo aquecendo até borbulhar. Quando estiver fervilhando, acrescente o pó de seus velhos paradigmas, deixando-o dissolver até se transformar num conteúdo novo, gostoso e de sabor inédito. Adoce com humildade para retirar qualquer ranço de rigidez presente no pó de seus antigos paradigmas.

         Acolha este conteúdo na tigela de seu coração e, com a cabeça fria, deixe-o esfriar na geladeira de sua mente até transformar-se numa massa gelatinosa, maleável e flexível que hidratará sua vida com um agradável e novo sabor.


SOBREMESA




DOMADOR DE LEÕES


         Era uma vez um domador de leões. Tudo em sua vida eram leões. A sua missão era domá-los e, para isto, tinha que usar de muita força, e até mesmo de uma dose significativa de violência para manter-se vivo sem o perigo de ser devorado pela fera. Tinha que transformar o indomável em domável, sendo assim, a sua vida eram leões, chicote, força e coragem. A força bruta era a sua segurança, travar-se nela era uma forma de correr menos riscos.

         Eis que um dia apareceu em sua vida um lindo e dócil gatinho querendo carinho e proteção. Mas, como a sua vida era só leões, chicote, força e coragem... Lá se foi o gatinho!