domingo, 22 de julho de 2012

FLEXIBILIDADE




“NÃO HÁ QUEM GOSTE DE REPOUSAR SOBRE UM CORAÇÃO DURO”



FLEXIBILIDADE


É o alimento mais importante para quem deseja aprender a adaptar-se bem a novas situações. Retira a rigidez e as couraças acumuladas tanto no corpo físico quanto no corpo mental, emocional e espiritual do ser humano, tornando-o bem integrado e harmonizado consigo mesmo e com o outro.



CUSTO


         O preço que se paga é o de ser rotulado de instável, inseguro e não confiável para aqueles indivíduos que incapazes de rever seus pontos de vista, estabeleceram a rígida regra de que ter personalidade é ser totalmente imutável e previsível. No entanto, um investimento na flexibilidade lhe permitirá conquistar o sabor de poder ser amanhã aquilo que você não é hoje. “Que seja melhor!”.

         Saiba que para nascer o melhor de nós mesmos, é necessário que possamos rever e mudar o que estamos sendo hoje.


TIRA GOSTO



EM CURVA



JAMAIS SE CURVOU

DIANTE DA VIDA

TERMINOU CORCUNDA

TÃO ENCURVADO

CHEIRANDO O CHÃO



QUEM NÃO SE CURVA

ENCURVA

EM CURVAS

DA VIDA

CAPOTA



INGREDIENTES



O fluído da mudança

Paradigmas em pó

Doce humildade



PREPARO



         Se você souber preparar uma gelatina, não terá dificuldades no preparo deste agradável prato.

         Coloque na panela da vida o fluído da mudança. Leve-o ao fogoso desejo aquecendo até borbulhar. Quando estiver fervilhando, acrescente o pó de seus velhos paradigmas, deixando-o dissolver até se transformar num conteúdo novo, gostoso e de sabor inédito. Adoce com humildade para retirar qualquer ranço de rigidez presente no pó de seus antigos paradigmas.

         Acolha este conteúdo na tigela de seu coração e, com a cabeça fria, deixe-o esfriar na geladeira de sua mente até transformar-se numa massa gelatinosa, maleável e flexível que hidratará sua vida com um agradável e novo sabor.


SOBREMESA




DOMADOR DE LEÕES


         Era uma vez um domador de leões. Tudo em sua vida eram leões. A sua missão era domá-los e, para isto, tinha que usar de muita força, e até mesmo de uma dose significativa de violência para manter-se vivo sem o perigo de ser devorado pela fera. Tinha que transformar o indomável em domável, sendo assim, a sua vida eram leões, chicote, força e coragem. A força bruta era a sua segurança, travar-se nela era uma forma de correr menos riscos.

         Eis que um dia apareceu em sua vida um lindo e dócil gatinho querendo carinho e proteção. Mas, como a sua vida era só leões, chicote, força e coragem... Lá se foi o gatinho!






























segunda-feira, 9 de julho de 2012

AMOR


“O AMOR ENCONTRA RAZÕES PARA TUDO, SÓ NÃO ENCONTRA RAZÕES CAPAZES DE EXPLICÁ-LO”


AMOR

         Amor é uma fruta doce, tão doce, que deixa a vida muito doce. O amargo, o salgado, o azedo serão sempre adocicados com a doce essência do amor. Ela possui também um notável poder terapêutico, podendo curar doenças presentes no cerne do indivíduo e da humanidade.



CUSTO




         Você só tem a ganhar com o amor, mesmo que os mal amados digam tratar-se de uma fruta cara e rara. Apesar de muitos desejarem comercializá-la, a fruta do amor é gratuita e não custa nada experimentá-la.



TIRA GOSTO




SE O AMOR FOSSE GENTE




SE O AMOR FOSSE GENTE

SERIA GENTE BOA

NÃO SERIA QUALQUER GENTE

SERIA UM “AGENTE”



AGENTE DA PAZ

AGENTE DA ALEGRIA

AGENTE DA SABEDORIA

AGENTE DA LUZ



NÃO SERIA AQUELA GENTE

QUE NÃO CONSEGUE SER AGENTE

GENTE SÓ

SÓ GENTE



ELE SERIA MUITA GENTE

ELE TERIA MUITOS ENTES

ELE TE TERIA

ELE SERIA





TERIA A TODOS

MAS NÃO SERIA DONO

SERIA DE TODOS

MAS NÃO TERIA DONO



NÃO SERIA APENAS UM CORAÇÃO

SERIA COR E AÇÃO

NÃO APRISIONARIA UM SÓ CORAÇÃO

LIBERTARIA TODOS



SUA RELIGIÃO SERIA ELE MESMO

SUA FILOSOFIA TAMBÉM

REINVENTARIA O MUNDO

E A SÍ MESMO TODOS OS DIAS



SEU TEMPO SERIA AGORA

SEU ESPAÇO SERIA AQUI

AQUI, AGORA

SEM SABER QUANDO E ONDE



SABERIA CORRER RISCOS

TERIA OS PÉS NO CHÃO

TERIA ASAS PARA VOAR

CADA QUAL NO SEU TEMPO



UM ET ELE SERIA

DE MALUCO MUITOS O ROTULARIA

DISCRIMINADO SERIA

E A SUA CRUZ CARREGARIA



CRUZ PESADA QUE SE TORNARIA LEVE

PELA SUA FORÇA

PELA SUA FÉ

PELA SUA CONDIÇÃO



CONDICIONADO A ABRIR-SE

PARA TODOS OS SEXOS, IDADES, RAÇAS E CONDIÇÃO SOCIAL

CONDICIONADO A FECHAR-SE

QUANDO SENTIR VONTADE



SE O AMOR FOSSE GENTE

ELE TERIA UM POUCO DE MIM

ELE SERIA UM POUCO DE MIM

QUE PUDESSE TER E SER UM POUCO DE VOCÊ




INGREDIENTES


Carinho, dedicação e respeito na sua medida certa



MODO DE PREPARAR




O amor não se prepara; colhe. E, para colher é fundamental você saber cultivar a árvore que o germina. Fertilizando esta árvore com carinho, aguando com dedicação e podando quando necessário com o valioso instrumento de respeito, você terá frutos o ano todo.

         Você quer saber onde está plantada a árvore do amor? Está plantada no pomar de seu coração.


SOBREMESA



AUDIÊNCIA COM O AMOR



            O Amor foi intimado a comparecer a uma sessão onde seriam abordados vários processos contra ele. Chegando ao fórum divino dirigiu-se à sala de audiência e sentou à direita do grande e poderoso juiz Deus Pai que apontando para uma pilha de processos o indagou indignado:

— Eu não tenho mais onde enfiar queixas e mais queixas contra a sua pessoa. Criei você com a intenção de descansar-me e não consigo mais parar de ler processos e mais processos contra a sua conduta lá na terra. Não consigo entender o que aconteceu, mas pela primeira vez uma obra minha falhou. Você tem feito justamente o contrário daquilo que eu programei.

         Com uma expressão confusa e ao mesmo tempo decepcionada, o Amor perguntou:

— Existem apenas reclamações a meu respeito? Não existem elogios?

— Existem muitos elogios, mas as reclamações superam os elogios. Eu te programei para ser só benção. Coloquei todas as energias boas presentes em você e não reservei lugar algum dentro de ti para qualquer desavença mínima que seja. Será que algum vírus alterou o meu programa?

— Acho que este vírus não está em mim, mas sim na cabeça das pessoas que me condenam. Conjecturou o Amor.

— Então vamos apurar o que realmente está acontecendo para encontrarmos uma solução para este problema. Deixe-me ver a primeira acusação...

         O Amor dirigiu seu olhar para o infinito e desabafou com perplexidade:

— Quando fui criado e incumbido de realizar a obra mais sublime que o ser humano já teve a oportunidade de receber, jamais imaginaria que poderia ser, um dia, acusado de tantas desventuras.

— Muito menos eu que o concebi como a minha mais valiosa obra. Continuou o Divino. Mas, vamos ao que interessa.

         O Divino retirou da pilha de processos aquele que mais conspirava contra o Amor, denunciando-o:

— Eis aqui o mais grave. Você é acusado de crime hediondo. Tornou-se o responsável por assassinatos, suicídios e guerras. Como você me explica tamanha atrocidade?

         Com tranquilidade, o Amor começou a relatar a armadilha que o ser humano criou contra si próprio usando o seu nome:

— Como sabes, sou a força mais poderosa de transformação. O poder está com aqueles que aprenderam a usufruir a minha energia. Sou um instrumento que não consegue ser utilizado por todas as pessoas. Infelizmente, ainda existem seres limitados que não conseguem nem mesmo me carregar, muito menos me utilizar. No entanto, todos conhecem o meu poder e muitos fingem me possuir com o intuito de sentirem poderosos e manipularem o mundo de acordo com seus desejos. As almas pequenas dizem ter amor e jamais conseguiram sê-lo. Sem poder fazer nada, vi coisas inimagináveis. Vi homens matando a própria mulher e serem absolvidos em meu nome. A própria justiça humana chegou a criar um artifício para dar força ao homem e enfraquecer a mulher permitindo-o cometer crimes passionais em meu nome. Dizem que em nome do amor eles podem limpar a própria honra sujando suas mãos e a própria alma com sangue. Quando a mulher conquistou  um pouco mais de poder, aprendendo a amar e respeitar a si mesma, foi-lhe concedido o mesmo privilégio, na verdade, um sacrilégio. Matar em meu nome cria absolvição e transforma o réu em vítima. Dificilmente, eles permitem ao ciúme, à cólera e à possessividade participar de um julgamento. A presença deles torna o homem fraco e suscetível à punição. Como o perdão se alia ao meu ser, eles fazem questão de me confundir com a tal da absolvição para fazer imperar a injustiça que é justa com os podres e injusta com os puros. E assim, eles continuam matando, usando meu nome e o seu também, meu grande Pai. Alguns países que não conquistaram ainda a sabedoria para negociar e enriquecer com dignidade, chegam a criar guerras em nome do amor à pátria e em nome do amor a Deus. Eles nunca pararam para pensar que quem tem amor à pátria não a destrói. Quem tem amor à pátria se compromete com a construção e para construir sou um ótimo instrumento. Muitos fingem serem donos do meu poder para arrastar os miseráveis de consciência. Manipula-os facilmente, pois quem tem a miséria na consciência aceita qualquer migalha.  Incutem nestes falsas crenças através de uma lavagem cerebral que os impedem  viver a força da fé. Quem tem fé me conhece e jamais me confunde. Criaram até os chamados homens bomba que se explodem em meu nome. Parece que estão explodindo o meu nome, mas jamais conseguirão explodir a minha força.

         Mais aliviado Deus o inqueriu:

— Você sabe como impedir isto?

— Não. Sei apenas que não posso ser extinto. Sei que posso ser um extintor deste incêndio que queima a alma dos fracos e dos desavisados. Mas sei também, que nem todos sabem ou desejam usar um extintor de incêndio. Parecem estar hipnotizados pelo fogo do inferno que os habitam.

— Você conseguiu justificar bem a primeira acusação que lhe foi feita, mas existem outras. Vamos ver as explicações que tem a me dar.

         Acabando de dizer isto, Deus retirou da enorme pilha de processos mais um grosso prontuário de acusações:

— Neste aqui você é acusado de furto. Dizem que anda roubando a liberdade das pessoas.

         O Amor deu uma grande risada e se defendeu:

— O homem é muito esperto! Cria todas as artimanhas para conseguir o que quer. Para um esperto tem sempre um idiota. Os idiotas acreditam que quem ama deve se prender ao objeto amado. Considero objeto todos aqueles que se permitem serem usados pelo outro; deixam de se exercer na vida, de viverem inúmeros prazeres só para terem o que nunca pode ser obtido. Eu posso ser uma presença, mas não posso ser e nem ter um dono nunca. Muitos perdem a liberdade quando encontram um par amoroso, e dizem que foi por uma boa causa. Só que na verdade não encontraram um par amoroso, encontraram um par ciumento. Para não desmascararem o ciúme, chegaram a criar a crença nos ignorantes de que quem não tem ciúme não ama. Senhor,  sabes muito bem que não combino com o ciúme. Ciúme é escravidão e infelicidade e eu carrego a liberdade e a felicidade dentro de mim.

         O Divino foi ficando cada vez mais tranquilo, mas se propôs a continuar a audiência. Retirou mais um processo e com uma expressou de desaprovação o censurou novamente:

— Será que anda atentando contra a moral das pessoas? Não consigo acreditar nisto!

— De que fui acusado agora? Perguntou o Amor.

— Dizem que inúmeras pessoas perderam a cabeça por sua causa chegando a depreciar e humilhar os entes mais queridos e estimados.

         O Amor fez um movimento de desaprovação com a cabeça e se defendeu:

— Nunca ninguém perdeu a cabeça por minha causa. Quem perde a cabeça são pessoas descontroladas e dominadas facilmente pela cólera. No entanto, para não perderem as pessoas que gostam, o ser humano adotou a estratégia de usar o meu nome para justificar suas fraquezas. Se forem verdadeiros e admitirem que foram fracos, descontrolados, insensatos, injustos e maus correrão o risco de perder aquilo que desejam possuir. Por outro lado,  se disserem que foi por amor, a vítima além de conformada é capaz de sentir-se valorizada chegando a permitir, inclusive, novos atentados à sua moral.

— A que ponto o homem chegou... Refletiu em voz alta o Deus Pai nem tanto poderoso para mudar esta situação. Dando continuidade e com expressão assustada relatou mais uma séria acusação:

— Isto é muito sério! Neste aqui você foi acusado de estupro.

— Por esta eu já esperava! Continuou o Amor. Eles conseguiram transformar o corpo num vaso sanitário. Há muitos que se prestam a isto, principalmente as mulheres. Chegaram a desenvolver a crença de que quem ama tem que satisfazer todas as necessidades sexuais do parceiro. Ao invés de fazer amor, fazem sexo por obrigação ou por compulsão e me colocaram neste meio para justificar suas perversidades. O estupro do desejo, do prazer, dos direitos e da dignidade foi criado pela insanidade humana que transformou o indivíduo em objeto de uso e não em um ser de relação.

         Cada vez mais, o Divino se admirava com sua obra chamada Amor e se decepcionava com sua obra chamada Homem. Continuava lendo os processos, não por desconfiar da séria e dedicada conduta do Amor, mas apenas para se dar conta das falcatruas do ser humano.

— Neste aqui você é acusado de danos corporais. Que relação eles conseguiram estabelecer entre você e a agressão física?

— Além de alegarem que perderam a cabeça por minha causa, usam também a chamada educação para justificar uma série de atrocidades contra os mais fracos. As maiores vítimas são as crianças. Muitos educadores acreditam que precisam puni-las e maltrata-las para educá-las. Dizem que quem ama educa. Quem ama educa, mas não desta forma.  Não percebem que estão deseducando e transformando estes pequenos seres em futuros agressores. Ponderou com sabedoria o gracioso sentimento amoroso.

— Olhe este aqui! Atentou o Divino entregando ao Amor mais um grosso processo contra ele. Lendo-o, atentamente, chegou a se exaltar perplexo:

— Me transformei também em explorador? Para não ser frustrado, o ser humano inventou que quem ama dever fazer tudo que o outro quer e se esquecer de si mesmo. Chega a delegar para o outro tarefas simples que até uma criança poderia executar. Sou usado em nome do comodismo e da incapacidade de ser frustrado. Quando o explorado coloca um limite, mínimo que seja, o explorador consegue com grande astúcia faze-lo sentir culpado. Adotam o jargão do tipo “se você me amasse não faria isto”, “se você me amasse faria isto por mim”, “eu larguei tudo por sua causa” e por aí vai... Que fique claro! Não sou eu o explorador, eles é que sabem explorar bem o meu nome para conquistarem o poder que almejam.

— Crime por formação de quadrilha...Que quadrilha você vem comandando? Perguntou, sarcasticamente, o Divino consultando mais um processo.

— Na verdade o homem vem formando verdadeiros exércitos usando o meu nome. Fazem verdadeiras lavagens cerebrais que impedem o discernimento. Estas quadrilhas, ou melhor  dizendo, estes exércitos, cometem diversos crimes contra a humanidade e conseguem ainda serem aplaudidos e reverenciados. Eu não sei como combater esta criminalidade. Eu só sei ser um valioso instrumento contra ela. Acredito que as pessoas bem intencionadas saberão fazer isto. Para isto a sabedoria vai ter que reinar neste planeta que abriga tanta ignorância.

— Tem mais alguma coisa que poderei fazer por você para torná-lo mais forte? Perguntou o Criador.

— Eu sou a força suprema que não precisa se exceder. O ser humano é quem precisa se fortalecer. Quero apenas que registre a minha queixa dentre estes inúmeros processos contra mim. Eu acuso o homem de falsificador. A minha verdadeira identidade tem sido falsificada e utilizada pelos fraudadores. A pena para isto já está sendo cumprida por eles. Estão presos numa cadeia de sentimentos destrutivos que transformou o paraíso que lhes foi oferecido num verdadeiro inferno.

         A fonte criadora do Amor deu um sorriso pronunciando:

— Nunca te vi como um réu. Quis apenas provar a sabedoria da minha obra primorosa. És perfeito demais para ser assimilado profundamente pela tão recente criatura humana. Um dia ela há de compreendê-lo e de utilizar não só o seu nome, mas, principalmente, a sua força para a transformação que se faz necessária à evolução. Devagarinho,  eles irão descobrindo isto. O tempo que destinei para esta descoberta é infinito. Depende deles desejarem dar os primeiros passos. Sei que os processos contra você continuarão chegando, mas a justiça divina tarda, mas não falta.

         Aliviado o Amor fez a sua última pergunta:

— Por que deixas tardar tanto a sua justiça?

— Para dar ao homem tempo de reconhecer os seus erros e mudar de atitude. Tempo não falta a ele, falta apenas o desejo de se transformar.

         E assim Deus e o Amor deram um grande abraço. Naquele momento ficou difícil reconhecer quem era um e outro. Deu apenas para reconhecer uma coisa: DEUS É AMOR!




terça-feira, 26 de junho de 2012

MUDANÇA


“COMEÇAR DE NOVO... MELHOR SERIA COMEÇAR DO NOVO”


MUDANÇA
 

         Mudança é um prato que lhe faz sentir diferente. Ideal para os momentos em que você se cansar de ser o mesmo e da sua mesmice de vida.



CUSTO


         As mudanças pressupõem perdas e conquistas. O preço que pagará por elas dependerá do foco de seu olhar. Se focar suas perdas, com certeza, se sentirá endividado pelo resto de sua vida. Entretanto, focando em suas conquistas, se sentirá premiado por ela.

TIRA GOSTO


PROFUNDAS MUDANÇAS


MUDEI MEUS CABELOS

CABELOS LISOS

MAS A MENTE CONTINUA EMBARAÇADA



MUDEI MINHAS ROUPAS

ROUPAS LEVES E SOLTAS

MAS O CORPO CONTINUA PESADO E RÍGIDO



MUDEI MEUS CALÇADOS

CALÇADOS MACIOS E CONFORTÁVEIS

MAS CONTINUO COM MEU ANDAR CALEJADO



MUDEI OS MEUS ADORNOS

JÓIAS CARAS E PRECIOSAS

MAS CONTINUO NÃO VALENDO NADA



MUDEI DE CASA

CASA AMPLA

AMPLO VAZIO QUE ME HABITA



MUDEI E NADA!

NO NADA ENCONTRO

SENTIDO EM NADA SENTIR



NO NADA ENCONTRO

O VAZIO QUE NADA PREENCHE

VAZIO QUE ME DEIXA CHEIA



CHEIA DO VAZIO

ESVAZIO ESTE VAZIO

QUE ME ENCHE



CHEIA DE VAZIOS

FINALMENTE BUSCO NO FUNDO

PROFUNDAS MUDANÇAS



INGREDIENTES



Milho da transformação

Óleo da flexibilidade

Tempero do otimismo



PREPARO


         Você sabe preparar uma pipoca? Pois é mais ou menos a mesma coisa.

         Quando a panela da vida esquenta, é chegada a hora de preparar algum alimento novo. Jogue o óleo da flexibilidade deixando-o aquecer para receber o grão da transformação. Misture à flexibilidade seu grão de transformação e se mexa. Vá mexendo, mexendo, mexendo, de preferência com a colher da paciência. Repentinamente, você terá uma grande surpresa. Os grãos da transformação estourarão como pipoca na panela dando origem a um novo grânulo com uma estrutura totalmente nova; agora mais macia e totalmente comestível. Salgue com o tempero do otimismo e se delicie com o crocante sabor da mudança. Os grãos que não sofrerem esta maravilhosa e saborosa transformação deverão ser jogados no lixo. Eles são os famosos piruás, ou mais precisamente, a dura resistência que existe dentro de você. Além de poder quebrar os seus dentes, podem ocasionar uma desconfortável dor de barriga no organismo de sua alma. Uma alma banguela e de piriri sofre muito.




SOBREMESA




FRIO INTERMINÁVEL


         Num lugar muito distante e muito frio, vivia um homem solitário. A neve sempre tomara conta deste local, o céu era sempre cinzento e a vegetação sempre seca. O homem que sempre vivera ali não conhecia a luz e o calor do sol. Suas roupas e calçados eram grossas e feitas de pele de animal de maneira a protegê-lo, ao máximo, daquele frio interminável. O seu rosto sempre cabisbaixo parecia procurar sempre a proteção. E, assim se acostumou a viver...

         Um dia algo começou a mudar. O sol com seus fortes raios começou a inundar de luz e de calor aquela região. O homem começou a sentir algo diferente, mas não se dava conta do que. Sentia uma água salgada a transcorrer por todo seu corpo e a molhar suas pesadas roupas. Debaixo daquelas pesadas roupas passou o resto dos seus dias suando, suando, suando e eternamente insatisfeito reclamando de seu mal estar, sem, no entanto, ter coragem de mudar as suas vestias.




































quarta-feira, 13 de junho de 2012

AMOR PRÓPRIO


AMAR A SI MESMO NÃO É EGOÍSMO, MAS A CONDIÇÃO BÁSICA PARA SUPERÁ-LO”



AMOR PRÓPRIO


         É um prato incomparável. Contém a doçura certa que alma precisa para se exercer com autenticidade. Fora do ponto ele poderá ficar “puchento” ou quebradiço. O segredo deste prato reside na descoberta do ponto ideal para  ser degustado. Não pode ser duro e nem mole demais. O uso dos ingredientes certos, sem falsificações, determina a sua qualidade. Quando experimentado e saboreado se dissolve soltando a doçura que elimina qualquer amargura.




CUSTO

        

         Apesar de ser “um barato”, não é barato amar a si mesmo. Se paga o alto preço da aquisição do falso rótulo de egoísta que lhe será imposto pelos próprios egoístas e o risco de perder o amor daqueles que, egoisticamente, exigem a exclusividade do seu amor, sem no entanto, saber doar o deles. Os egocêntricos verão este seu investimento como um prejuízo e farão de tudo para desestimulá-lo. Reforçarão a crença do indispensável amor ao próximo tomando o máximo cuidado para não salientar, em momento algum, a importância do amor a si mesmo.




TIRA GOSTO


MINHA DIALÉTICA



NÃO SOU A MULHER

QUE UM HOMEM DESEJA

MAS, TALVEZ, MESMO SEM ELE SABER

A MULHER QUE PRECISA PARA CRESCER

A MINHA DESTEMIDA LIBERDADE

O MEU INTENSO AMOR

A MINHA CONSTANTE ALEGRIA

A MINHA DOCE CRIATIVIDADE

A MINHA DESAFIADORA NATURALIDADE

NÃO FAZEM DE MIM UMA MULHER VIRTUOSA

FAZEM DE MIM UMA MULHER PROBLEMA

UM PROBLEMA PARA O OUTRO

UMA SOLUÇÃO PARA MIM

AS MINHAS VIRTUDES

GERAM INSEGURANÇA E MEDO

É DIALÉTICO, PARADOXAL

MAS, VERDADEIRO

DÓI NÃO SER O DESEJO DO OUTRO

MAS É UM PRAZER

SER O MEU DESEJO

ME AMO

ME QUERO ASSIM

MESMO CORRENDO O RISCO

DE PERDER O HOMEM

PARA SER PRESENTEADA

COM A MULHER QUE MORA EM MIM

MULHER QUE DESEJA AMAR UM HOMEM QUE SE AME

LIVRE

AMOROSO

ALEGRE

CRIATIVO

NATURAL

TÃO VIRTUOSO

QUE CHEGA A SER UM PROBLEMA

UM PROBLEMA QUE ME FAÇA CRESCER



INGREDIENTES


Grandes porções do doce amor

Leitoso respeito



PREPARO


         Preparar o amor-próprio é semelhante ao preparo da bala delícia. Quem sabe fazer bala delícia, sabe que apesar de simples, requer cuidados especiais para dar certo. É puxenta antes do ponto e se gruda ou quebra toda se passar do mesmo. Quando a receita fica assim, não estamos preparando bala delícia, mas uma massa grudenta ou quebradiça que nada tem haver com a macia e saborosa bala que se dissolve em nossa boca adocicando nosso paladar. Existem também balas delícia industrializadas que parecem possuir apenas açúcar da pior qualidade. Nestes produtos de baixa qualidade é irreconhecível o sabor do delicioso leite de coco. Metaforicamente falando, o egoísmo vestido de amor próprio é também como estas balas enjoativas. No seu preparo foram usados  egoísmo falsificado de amor-próprio e doses ínfimas ou mesmo ausentes do leitoso respeito. Egoísmo fantasiado de amor-próprio gera falta de cuidado com o próximo podendo gerar conflitos que desintegram ou quebram qualquer relação ou faz o indivíduo grudar em si mesmo esquecendo que o outro existe. Assim, egoísmo nada tem haver com amor-próprio. Ele é como a receita de bala delícia que saiu errada. A falta de cuidados especiais, ausência dos ingredientes adequados e de consciência do ponto certo pode gerar uma bala nem um pouco deliciosa, capaz de ferir, jamais alimentar. Diante disto tudo, como se prepara o amor próprio?

         Leve os ingredientes de amor e respeito para a panela da vida bem aquecida pelo fogo da consciência. Aquecidos pelo calor da consciência, deixe que eles se dissolvam um no outro se integrando e soldando o amor e o respeito que devemos ter por nós mesmos ao amor e respeito que devemos ter pelo outro. Feito isso, é só estar atento ao ponto certo, ou seja, ao ponto em que o amor e respeito a si mesmo e ao outro estejam bem integrados. Se esta integração não estiver no ponto, a massa desta guloseima vai se grudar ou quebrar toda quanto você tentar manipula-la em suas próprias mãos para, finalmente, modelar a seu modo cada bala que será posteriormente saboreada pelo seu paladar. A não integração destes ingredientes gera egoísmo que pode ser direcionado ao outro ou a si mesmo. Ser “egoísta” consigo é satisfazer apenas as necessidades do ego do próximo, sendo tão prejudicial quanto ser egoísta para com o outro. A falta do tão importante ingrediente de amor e respeito ao outro e a si mesmo, além do egoísmo poderá gerar a tão indigesta inveja que intoxica tantas almas. Estando o amor e o respeito no ponto certo, ou seja, integrados, é só despejar esta substanciosa massa no seu espaço de ser, que deverá ser sempre uma superfície lisa, jamais rugosa e áspera. Este espaço deverá ser untado com a determinação do desejo de ser o que se é realmente e finalmente modelado pelas suas próprias mãos com todas as formas de SER que você deseja adquirir.




SOBREMESA




ESPAÇO DE LUZ



 Admirando o céu estrelado, deitada na rede com caneta e folha na mão, tentei buscar em algum lugar do universo uma história que pudesse falar do brilho que cada um carrega dentro de si. Observando o infinito que abriga estrelas de diferentes formas, tamanhos e brilhos pude associar o universo delas com o intrigante universo humano. E foi assim, que encontrei diante de enormes estrelas um ponto de luz, minúsculo o suficiente, para iluminar as minhas ideias. De uma pequena luz nasceu uma grande história.       

Era uma vez um ponto luminoso que residia no infinito universo das estrelas. Escondido em meio a tanta luz trazia consigo o sonho de ser um dia chamado estrela. Era pequeno demais para ser designado assim, precisava crescer, mas não sabia como. Sonhava ser visto e admirado por todos que dirigissem o olhar para o céu, invejando as outras estrelas que brilhavam de felicidade ao receber olhares vindo de inúmeros lugares do universo.


         O único desejo que o ponto luminoso possuía era ser como as outras estrelas e a única certeza que tinha era a de não querer ser ele mesmo. Comparava-se o tempo todo com as grandes estrelas e invejava o lugar delas. A inveja e a vaidade roubavam a sua vitalidade e o seu brilho. Cansado e opaco, já quase se apagando, recebeu, finalmente, a visita do guardião estrelar que aparecia toda vez que o universo corria o risco de perder uma estrela.  Era como se ele fosse um salva-vidas tentando salvar com sabedoria qualquer  estrela  ameaçada de se afogar na escuridão.

         O guardião estrelar era considerado a maior estrela do universo. O seu brilho era como se fosse a junção de milhares de estrelas juntas. Ponto de luz surpreso com tanta luz se aproximando gritou temeroso:

— Pare, por favor! Eu não quero morrer consumido pela sua luz.

         O guardião continuou se aproximando e despertando um pavor cada vez mais intenso naquele pontinho luminoso.

— Eu não quero morrer! Eu não quero morrer! Por favor, não roube a pouca luz que me resta.

 Serenamente, o guardião lhe tranquilizou:

— Eu não vim roubar a sua luz. Eu vim ajudá-lo a intensificá-la.

— Como assim? Perguntou com indignação aquele ponto minúsculo.

— Se você não deseja morrer necessita romper com as trevas.

— Por que você me diz isto? Eu não sou parceiro das trevas.

— Mas está se afogando nelas. Talvez queira ajuda, é por isso que vim.

— Você me daria um pouco de sua luz para que eu possa me transformar numa estrela igual às outras? Perguntou o ponto de luz intensificando a sua esperança.

— Eu não posso lhe ceder a minha luz, ela só pertence a mim. E, não há como você se transformar  numa estrela igual as outras. Cuidado com a  inveja e com a vaidade que não lhe permite valorizar as diferenças.

— Como pode dizer que invejo?

— Não há como negar aquilo que está registrado em seu brilho e em seu olhar.

           Incomodado e decepcionado, ponto de luz foi se afastando devagarzinho dirigindo-se cada vez mais para o interior das trevas. O seu brilho foi se ofuscando e a sua fragilidade desatou um desabafo agressivo:

— Se sou um invejoso, você é um grande egoísta. Não custava nada me oferecer um pouco desta farta luz que recebeu.

— Você está enganado! Eu não recebi minha luz de ninguém, eu a conquistei.

— Eu não acredito! Como posso ter algo sem que alguém me dê?

— Conquistando! 

— Não acredito em conquistas. Eu acredito na sorte. Eu não tive a sorte que as outras estrelas tiveram de conseguir um lugar estratégico no universo.

— O que você chama de lugar estratégico?

— Um lugar onde possamos ser vistos e admirados por todos.

         Percebendo a visão equivocada daquela minúscula luz, o guardião estrelar tentou firmar um pacto com a mesma.

— Provarei para você que não é o lugar que faz a estrela, mas o inverso, ou seja, a estrela faz o lugar. No entanto, terás que firmar um acordo comigo.

— Que acordo?

— Caso eu consiga provar para você o que acabei de dizer, você terá que aceitar um desafio.

— Qual desafio?

— Deixar de olhar as outras estrelas por um instante para desenvolver a capacidade de enxergar a si próprio.

— Para onde deverei desviar o meu olhar para que eu possa me enxergar?

— Para o espelho das águas do mar.

         Desesperado e colérico, ponto luminoso se exaltou relutando cumprir o acordo  a ser firmado.

— Você quer me enganar e me transformar numa estrela do mar. Dizem que todas as estrelas que perderam o brilho caíram para sempre no fundo abismo do mesmo. Eu não quero correr este risco.

— Por medo de se afogar no mar, você afogará nas trevas infinitas do universo. Boa sorte! Nunca diga que não teve uma opção de escolha. Lamento por ti.

          O guardião estrelar foi se afastando lentamente. À medida que se afastava a sua luz continuava a mesma, forte e poderosa. A distância não diminuía a sua intensidade. Surpreso com o que viu, ponto de luz inflou o peito e deu um estridente grito de socorro:

— Volte, por favor! Não me abandone. Eu aceito o desafio.

         Guardião estrelar retornou pacientemente.  A insignificante luz fez ainda algumas conjeturas antes de aceitar definitivamente o desafio, parecia não acreditar muito na possibilidade do guardião conseguir provar um discurso que parecia mais uma utopia.

— Só terei que me olhar caso você prove que o lugar não faz a estrela, mas sim o inverso. Ponderou a luzinha num tom de exigência.

— Perfeitamente!

— Como você conseguirá me provar isto?

— Muito fácil! Apenas tirando você do lugar que ocupa hoje.

— Maravilha! Isto é tudo que desejei durante toda a minha vida. Para onde me levará? Perguntou a opaca luz num misto de ansiedade e exaltação.

— Você será levado para onde desejar. Escolha a estrela mais invejada por você que providenciarei todos os recursos para que ocupe o lugar dela.

         Padecendo em ânsia apontou rapidamente para a segunda maior estrela do universo, já que a primeira era o próprio guardião, sendo, portanto, inapropriado querer ocupar o lugar da estrela que o ajudaria.

— Quero ocupar o lugar da estrela Lúcy.

— Aguarde um momento que providenciarei as mudanças de posições. Preciso comunicar com Lúcy para que ela possa ceder-lhe este lugar que tanto deseja.

— Você acha que ela aceitaria ocupar este lugar horrível que ocupo? Acha que abriria mão do brilho que possui para passar a viver nestas trevas que vivo?

— A mudança de lugar não afetará o brilho de Lúcy, aliás, uma das coisas que mais intensifica a sua luz é a possibilidade de estar mudando sempre de lugar. Ela adorará esta nova aventura. Vou provar que as trevas que você enxerga fora existe apenas dentro de si mesmo.

         Ponto de luz expressou desprezo, mas limitou-se se manter calado aguardando o momento tão esperado. Guardião estrelar aproximou-se de Lúcy fazendo os ajustes necessários e retornou exultante.

— Preparado? Tudo acontecerá como um flash.

         Repentinamente, raios de luz cruzaram o universo. Ponto de luz se viu lançado para um espaço totalmente novo no extremo oposto espaço sideral. Ainda tonto, tentando administrar sua euforia e seu medo, ouviu as palavras finais do atencioso guardião estrelar:

— Cumpri a minha parte. Agora me diga o que vê e o que sente.

          Decepcionado, ponto de luz pôs-se a chorar lamentando a ilusão que alimentou durante toda a sua vida.

— Mudamos de lugar, no entanto Lúcy continua linda. Seu brilho aumentou ainda mais no espaço que para mim era só de trevas. Neste momento ele se transformou num espaço de luz e eu o perdi. Não consegui roubar a luz de Lúcy ocupando seu lugar. Sinto-me cada vez mais opaco e frágil e o espaço de luz que pertencia a Lúcy já não ilumina nada ao ser ocupado por mim. Você tem razão, o espaço não faz a estrela. Talvez seja mesmo a estrela responsável por construir o seu espaço, no entanto, eu não aprendi ainda construir o meu por ter passado uma vida inteira cobiçando um lugar que não me pertencia.

— Lamento muito, porém, quero que perceba que a tomada de consciência sobre a ignorância que o dominou  até então se transformou em  luz  dentro de ti. Cumpri a minha missão, espero que consiga concluir a sua. Não tenho mais o que fazer aqui.

         O guardião estrelar partiu, mas continuou visível mesmo distante. Uma luz daquela jamais se apaga, se presentifica eternamente. Quanto ao ponto de luz, desiludido, pôs-se a chorar por tempo indeterminado. Ninguém soube explicar até hoje por quanto tempo chorou. Dizem apenas que suas lágrimas se transformaram num mar de água salgada e cristalina de onde emergiu uma linda estrela brilhante que mergulhou no universo com o propósito de ocupar, continuamente, um novo lugar no infinito.

           Hoje, quando olho para o céu eu a vejo muito grande sorrindo para mim. Parece apreciar-se e amar-se muito. Ela me contou que lá de cima a terra parece mais um mar de estrelas de diferentes tamanhos, formas e brilhos. Foi a partir disto que descobri ser muito importante tentarmos resgatar aqueles pontos de luz que não conseguiram ainda se enxergar como estrela. Se você for uma estrela talvez possa me ajudar. Desde já lhe agradeço, pois o nosso planeta precisa de muita luz. Você estará fazendo por mim, por você, por nós. Abençoada seja a sua luz!

















      


































quarta-feira, 30 de maio de 2012

PAZ


ANTES DE BUSCAR A PAZ, AQUIETE SEU CORAÇÃO”



PAZ


         A paz é um prato bem leve e incapaz de produzir obesidade, ou seja, torna-lo uma pessoa pesada. Quem dele se alimenta elimina tudo que pesa a consciência. É alta a pressão sobre aquele que não vive a paz. Sendo assim, nutrir-se dela capacita o ser humano viver sem a incômoda pressão “alta” que o impede sentir-se aliviado, solto e sereno. Previne, também, o infarto de uma vida leve e tranquila.




CUSTO



         Para viver em paz é necessário abrir mão dos lucros advindos da infelicidade do outro e da sua própria. Para isso, é fundamental que você perca toda a vingança, estresse, sovinice e culpas que porventura esteja juntando pela vida afora. Permitir-se não ser dono de nada, mas usufruir tudo que necessite é uma grande estratégia na conquista da paz. Ter apenas a posse de si mesmo e contentar-se com o suficiente; não acumular e  ganhar além daquilo que você realmente precisa é outra estratégia importante

Para viver a paz paga-se o preço de não ganhar desmedidamente e o de não ser um miserável.



TIRA GOSTO




MINHA MAIS RECENTE DESCOBERTA




MERGULHO DENTRO DE MIM

COMUNICO COM UM SER SINGELO E SERENO

QUE ME APAZIGUA E CONFORTA

MEU MAIOR ALIADO

MEU MELHOR AMIGO



MERGULHO DENTRO DE MIM

COMUNICO COM UM SER ARROGANTE E OPRIMIDO

QUE ME PROVOCA E ME SUFOCA

MEU MAIOR ADVERSÁRIO

MEU MAIOR INIMIGO




NO MEU UNIVERSO INTERNO

VEJO O ALIADO E O ADVERSÁRIO

VEJO O AMIGO E O INIMIGO

VEJO-ME

VEJO O QUE QUERO VER E VIVER




QUERO VIVER O CONFORTO E A PAZ DO AMIGO

QUERO LUTAR CONTRA A ARROGÂNCIA E OPRESSÃO DO INIMIGO

QUERO JAMAIS ESQUECER A MINHA MAIS RECENTE DESCOBERTA

DE PODER SER EU MESMA MINHA MELHOR ALIADA E AMIGA

DE PODER SER EU MESMA MINHA MAIOR ADVERSÁRIA E INIMIGA




RESTA ESTABELECER OS LIMITES DA CONVIVÊNCIA

NO UNIVERSO DO MEU EU

AMPLIAR INFINITAMENTE O ESPAÇO AMIGO

LIMITAR, COM FIRMEZA, O TERRITÓRIO INIMIGO

PROCLAMANDO A PAZ CESSANDO O CONFLITO COMIGO MESMA




LÁ FORA

NO UNIVERSO EXTERNO DO MEU EU

VEJO O SER HUMANO

ENFRAQUECENDO SEU MELHOR AMIGO

DANDO TRÉGUA AO SEU INIMIGO ÍNTIMO




O UNIVERSO DIVINO

ANINHA ESTE SER

QUERENDO QUE ELE SINTA QUE O CORAÇÃO É MACIO

PASSÍVEL DE DESCANSO

DESDE QUE SE AME SEM MEDO DE SER FELIZ




QUE ESTE SER APRENDA A LUTAR

A LUTAR POR TUDO QUE O LIBERTE

QUE ESTE SER DESAPRENDA A GUERRIAR

A GUERRIAR POR TUDO QUE O APRISIONE

QUE LUTE SEM GUERRA




SABENDO BEM A DIFERENÇA

ENTRE LUTA E GUERRA

ELE HÁ DE DESCOBRIR DENTRO DO SEU PRÓPRIO SER

O PARAÍSO PERDIDO

VIVÊ-LO E NADA MAIS


INGREDIENTES



Discernimento à vontade

Simplicidade bem fresquinha

Grãos de Aceitação

Serenidade natural

Tranquilidade natural

Tempero de Harmonia




PREPARO




         Use todo discernimento que possuir em sua casa para usar nesta salada que deve ser bem simples, apenas os produtos que o seu ser precisar. Não vá a busca de nada que possa deixar o seu prato mais sofisticado, para isto colha em sua horta folhinhas de simplicidade bem fresquinhas e forre toda a tigela da vida com elas. Procure uma tigela bem aberta. Para que as folhinhas de simplicidade fiquem ainda mais atraentes, salpique sobre elas grãos de aceitação que deverão ser cozidos no caldeirão do coração. Ao invés de comprar a tranquilidade e a serenidade enlatadas em supermercados sentimentais, tente colhe-las na própria natureza. Caso você não conheça, saiba que tranquilidade é uma plantinha que gosta de viver em sombra e água fresca e serenidade habita sempre locais onde possa receber o sereno da madrugada. Colhendo-as ao invés de comprá-las, você estará evitando comprar produtos com cólera tóxica. De posse da serenidade e tranquilidade, disponha-as na tigela da forma que melhor lhe convier e tempere com bastante harmonia. Não se preocupe se precisar de muita harmonia para agradar seu paladar, pois ela é um tempero leve incapaz causar azia ou de deixá-lo pesado e indisposto. Mastigue tudo muito bem, pois paz a gente não engole; paz a gente saboreia.




SOBREMESA

 

 


LIBERTE SUA CRIANÇA





De repente,  me dei conta de que precisava ir a busca da paz. Resolvi fazer uma viagem pelo mundo certo de que a encontraria em algum lugar. Pensava que se estivesse em paz tudo estaria resolvido, pois são justamente os problemas que não conseguimos resolver que nos deixam em conflito. Queria nesta busca descobrir se a paz é que resolve nossos problemas ou se é a resolução de nossos problemas que nos deixa em paz.

         Quando, finalmente, decidi sair pelo mundo reuni com minha família informando-a sobre esta minha importante viagem. Deixei claro que ficaria um bom tempo distante deles para tentar encontrar a paz em algum lugar e assim que a encontrasse voltaria com ela ofertando-a a todos. Curioso, meu filho mais novo perguntou:

— Papai, o que é paz?

Não tive naquele momento uma resposta para uma pergunta tão simples e ele me questionou novamente:

— Se não sabe o que é paz, como poderá encontrá-la?

Sentindo-me envergonhado com o questionamento de uma criança tentei dar-lhe a todo custo uma resposta:

— Na verdade, a paz é um estado de harmonia e tranquilidade.

         Como toda criança, ele me fez uma nova pergunta:

— E o que é harmonia e tranquilidade?

         Percebi que se tentasse apenas buscar conceitos para responder suas perguntas ficaríamos eternamente presos em definições. Achei que seria mais prudente dar-lhe uma resposta buscando uma experiência concreta.

— Toda vez que estamos bem alegres sem pensar em nada que nos perturbe, estamos em paz.

         Neste momento os olhinhos de meu filho se encheram de luz. Foi como se tivesse feito a maior descoberta de sua vida. Cheio de entusiasmo, falou:

— Já que esta paz que procura é tão importante, eu posso ajudá-lo a encontrá-la. Você não precisa rodar o mundo, ela está aqui, eu a conheço e brinco com ela todos os dias. Amanhã deixarei que brinque com ela também.

         Tentando brincar com meu filho e não dando tanta credibilidade ao que falava por julgá-lo inocente e ingênuo, o censurei com doçura:

— Mas, como é que você não me apresentou ela até hoje?

— Por dois motivos, papai. Primeiro, porque você nunca me falou que a procurava, talvez estivesse mais preocupado em procurar problemas. E segundo, porque apesar de brincar com ela todos os dias nunca me preocupei em perguntar o seu nome, me sentia satisfeito com o simples fato de tê-la ao meu lado.

         Fiquei chocado com o que ouvi. Nunca pensara que meu filho, na condição de criança, pudesse estar atento à forma como eu vinha conduzindo minha vida. Percebi que o ingênuo ali era eu e que a inocência talvez fosse um atributo importante para quem deseja a paz. Na verdade, só os inocentes conseguem senti-la. Quem não vive a inocência, se sente culpado e vive em conflito constante consigo próprio. Sem perceber que era um mestre a criança que eu pensara educar, acabei recebendo ali uma lição de vida. A simplicidade era tanta que cheguei, no meu íntimo, achar impossível encontrar a paz que eu julgava tão complexa na pureza de uma criança. Mesmo assim, combinamos encontra-la no outro dia. Iria muito mais para cumprir o dever de um pai no sentido de julgar-se interessado pelas coisas do filho do que na esperança de ser realmente apresentado à paz por uma simples criança.

         No outro dia meu filho tomou-me pela mão e saiu comigo rumo às montanhas. Durante a caminhada ele me falou assim:

— Hoje, nós combinamos brincar de voar como os passarinhos. Ontem, nós brincamos de nadar como os peixes no rio. Foi ótimo!

— Me fale de tudo que vocês costumam brincar. Perguntei, curioso, tentando desvendar as fantasias de uma criança.

— A gente brinca de ser... De ser... De ser, sei lá... Ser... Ele não conseguia complementar a sua resposta.

         Percebi que sua resposta talvez não tivesse mesmo um complemento. Talvez fosse simples o suficiente para a nossa mente adulta querer complicar. Brincar de SER seria a resposta. Não tentei complicar a questão, na verdade nem tive abertura para isto, pois antes que me desse conta, meu filho já estava lá no alto da montanha com os braços abertos prontos para voar como um pássaro. Desceu correndo, batendo os braços e dando gargalhadas de soluçar. Chegou, finalmente, junto a mim e pediu que voasse também. Tentei, mas não senti a harmoniosa sensação que meu filho demonstrava. Decepcionado, ele olhou-me nos olhos e disse:

— Talvez, você prefira planar...

         Levou-me até o alto da montanha novamente. Tirou as roupas, fechou os olhos, abriu os braços e se limitou a ficar quietinho apenas sentindo o vento tocar em seu corpo. Tentei fazer o mesmo, mas achei-me ridículo. Abri meus olhos e encontrei a paz, não em mim, mas em meu filho. Descobri que ela era muito mais do que a tranquilidade e harmonia; era, na verdade, a genuína alma de uma criança. Tive a plena consciência de que enquanto eu estivesse fechado e achando ridículo o que era demasiadamente simples e belo, jamais conseguiria encontra-la. Era necessário me abrir. Antes de voar, talvez precisasse abrir meus braços para acolher o que sempre rejeitei. Naquele momento abri meus braços para abraçar meu filho e lhe disse com fervor:

— Obrigado filhinho! Adorei a sua companheira, no entanto preciso ainda aprender a brincar com ela. Acho que estou pesado demais, não consigo voar e nem planar.

— Por que você ficou pesado, papai?

— Acho que é porque virei gente grande.

— Desse jeito eu não vou querer crescer, eu vou querer ser sempre uma criança.

— Pois eu lhe digo uma coisa muito importante, meu filho. Você pode crescer sem receios, só não pode deixar nunca de ser uma criança também.

— Tem jeito de ser gente grande e criança ao mesmo tempo? Perguntou-me confuso.

— Acho que sim. Preciso descobrir. Acho que preciso ir atrás da criança que mora dentro de todos nós, principalmente aquela que mora dentro de mim. Se eu encontra-la, com certeza ela estará assim como você, de mãos dadas com a paz e brincando com ela todos os dias.

         Foi assim que resolvi sair pelo mundo em busca da criança. Passei por campos de guerra e vi a criança bombardeada nos corações dos homens. Estava muito ferida e não conseguia se exercer. Na maioria dos combatentes ela já havia morrido. Passei pela miséria e vi a criança desnutrida e sem força. Não conseguia levantar-se e chorava de fome. Descobri aí, que para ser criança não basta ter pouca idade, pois vi muitos seres pequeninos carregando a senilidade dentro deles e mais à frente deparei-me com um idoso que trazia junto de si a criança mais levada que conheci. Todos diziam que ele havia caducado, mas ele me disse um grande segredo ao pé do ouvido que jamais esquecerei:

— Cansei de ser adulto. Se eu precisar ser um velho caduco para libertar a minha criança, serei. Não conte a eles que não estou caduco, pois senão me obrigarão a ficar, novamente, cego como eles que só enxergam a luta da vida. Sem enxergar, eu corro o risco de perder minha criança e se eu perde-la não terei paz enquanto não encontra-la novamente.

         Saí dali pensando na minha luta para encontrar a paz. Que contradição! Passei também por templos religiosos. A criança não estava lá, somente pessoas sérias, e a paz eles afirmavam estar no paraíso. Ali, fiquei sabendo que o paraíso é um lugar muito distante onde mora um homem chamado Deus. Se o Deus deles pelo menos fosse criança, eu acreditaria no paraíso deles.

         Tive contato com ambientes festivos onde vi de tudo. Vi pessoas brincando com sua criança e outras tentando alicia-la. Tive a oportunidade de observar muitas famílias educando suas crianças, ensinando a elas etiquetas de boas maneiras. Na maioria delas, boas maneiras para deixar de ser criança e deixar de ser feliz. Nos ambientes de trabalho, simplesmente, nunca houve espaços para a criança. Existem, inclusive, leis que proíbem o trabalho para criança. Sendo assim, no trabalho a gente aprende a ser apenas gente grande.

         Depois de buscar tanto a criança, eu me perdi. Não sabia mais porque a buscava. A lembrança de meu filho e da paz que brincava com o mesmo todos os dias me ajudou muito. Cheguei à conclusão que faltava apenas eu olhar para dentro de mim mesmo e ter a coragem de correr o risco de libertar a minha criança. Não sei como, mas tive esta coragem. Quando me olhei com carinho e ternura a vi sorrindo para mim. Linda! Apesar de sapiente não sabia ainda se defender dos adultos. Ela me olhou com um olhar triste e disse:

— Estou de castigo.

— Por que? Perguntei.

— Porque deixei de fazer o dever de casa para poder brincar. Respondeu melancólica.

— Por que você não fez o dever de casa para brincar depois? Questionei, censurando-a.

— Porque além de chato ele é grande demais para mim e não sobra tempo para brincar.

         Tomei um susto e a criança desapareceu. Parei para pensar no tamanho e na qualidade de meu dever e cheguei à conclusão que eu só consigo pensar no que devo fazer e nunca no que posso fazer. Devendo fazer tanta coisa eu passei a dever muito e perdi a paz com tanta dívida. Desde então, passei a buscar o que posso fazer diferente e vez e outra vejo minha criança reaparecendo para mim com um rostinho mais alegre dizendo:

— Parece que falta muito pouco para o castigo acabar!

         Outro dia sonhei com ela e no meu sonho ela era um lindo anjinho com asinhas salientes prontas para voar. Depois deste sonho subi, novamente, a montanha com meu filho e consegui finalmente voar.

         E se você não entendeu ainda esta história e deseja que eu lhe explique mais uma vez o que criança tem haver com paz, eu lhe respondo:

-Tudo!!!!!!!

         E tem mais... Se você ainda tem esta dúvida é porque não tirou a sua criança do castigo.